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Estados · O nome na tela da urna

Na urna do RN, “de Lula” apareceu duas vezes; no país, os três nomes com essa preposição se elegeram ou foram ao 2º turno

Samanda teve 31.240 votos para deputada federal em 2022, como “Samanda”. Em 2026, como “Samanda de Lula”, teve 635.924 e a 2ª vaga do Senado, 5.765 à frente de Zenaide Maia. Na mesma urna, “Rodrigo de Bolsonaro” teve 434 votos para governador.

Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · 1º turno19 de outubro de 2026

No Rio Grande do Norte, a urna de 4 de outubro mostrou a mesma preposição em duas telas. Na de governador, o eleitor do PT leu “Cadu de Lula”. Na de senador, leu “Samanda de Lula”.

O nome civil dele é Carlos Eduardo Xavier. O dela, Samanda Alves de Freitas. Nenhum dos dois tem Lula no registro. O “de” é a palavra que liga o nome de quem pede o voto ao nome de outra pessoa.

Os dois foram longe. Cadu de Lula teve 718.300 votos e disputa o 2º turno no domingo, 25, com Allyson, que teve 733.809. Samanda de Lula teve 635.924 e ficou com a 2ª vaga do Senado. A 1ª foi de Styvenson Valentim, com 1.055.000.

Sem o “de”, Samanda teve 31 mil votos em 2022

Em 2022, ela disputou uma cadeira de deputada federal pelo PT com o nome de urna “Samanda”. Teve 31.240 votos, a 17ª de 175 candidatos do estado, e ficou suplente.

Em 2024 se elegeu vereadora de Natal, ainda como “Samanda”, com 5.189 votos.

Em 2026, o nome na tela ganhou duas palavras. Na ficha do TSE, a ocupação mudou junto: era engenheira, passou a ser vereadora.

Os votos de 2022 e de 2026 não medem o nome. São cargos diferentes: para o Senado, cada eleitor votou duas vezes, e a disputa tinha 13 nomes, não 175.

O que o eleitor leu na tela, eleição a eleição

Escolha uma pessoa e um ano.

Nome de urna, cargo e partido como o TSE registrou cada candidatura no 1º turno. Em rosa, a parte do nome que não está no registro civil.

A vaga se decidiu em Natal

Samanda ficou 5.765 votos à frente de Zenaide Maia (PSD), que pedia mais oito anos no Senado.

Em Natal, onde Samanda é vereadora, ela teve 138.855 votos, o dobro dos 68.537 de Zenaide. Fora da capital, Zenaide teve mais: 561.622 a 497.069. Samanda ficou à frente em 69 das 167 cidades.

Zenaide também mudou o nome. Em 2018 se elegeu como “Dr. Zenaide Maia”, com 660.315 votos. Em 2026, o título saiu da tela.

Samanda e Zenaide, votos para o Senado

Troque o lugar e compare as barras.

Votos válidos no 1º turno de 2026. Natal é uma das 167 cidades do Rio Grande do Norte.

No país, a preposição com Lula é de 2026

Desde 2018, a urna mostrou Lula no nome de 37 candidaturas: 14 em 2018, 12 em 2022 e 11 em 2026.

Em 15, a palavra é do próprio candidato. Pode ser o sobrenome, como o de Carlos Eduardo de Oliveira Lula, o “Carlos Lula” do Maranhão. Pode ser o apelido de Luiz, como o de Luiz Eduardo da Fonte, deputado por Pernambuco como “Lula da Fonte”. O próprio presidente se registra Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 17, Lula veio colado ao nome, sem preposição: “Gleisi Lula”, “Carlin Lula”, “Lula Tio do Biscoito”.

Em 5, veio depois de “de” ou “do”. “Neide de Lula”, na Paraíba, em 2018, e “Daniel do Lula”, em Santa Catarina, em 2022, ficaram suplentes. Em 2026 foram três: Cadu e Samanda, no RN, e “Júlio César o Julim do Lula” (PSD), eleito senador pelo Piauí com 989.146 votos.

Os três se elegeram ou foram ao 2º turno. Todos.

Todos os nomes de urna com Lula ou Bolsonaro, 2018 a 2026

Escolha o nome. Depois, o jeito de usá-lo. Toque numa etiqueta para ver o nome civil.

Cada etiqueta é uma candidatura do 1º turno que chegou à urna. Cheias, as que se elegeram ou foram ao 2º turno. Sublinhada, a palavra Lula ou Bolsonaro.

Com Bolsonaro, o sobrenome costuma ser de família

Com Bolsonaro no nome de urna foram 7 candidaturas em 2018, 17 em 2022 e 19 em 2026.

Em 2026, 7 se elegeram ou foram ao 2º turno. Cinco têm Bolsonaro no registro civil: Flávio, Carlos, Michelle, Jair Renan e Renato Antonio Bolsonaro, eleito deputado federal por São Paulo.

Dois não têm. Fabiana de Lima Barroso Souza se elegeu deputada estadual em São Paulo como “Fabiana Bolsonaro”. Crysthofour Pereira de Almeida se elegeu no Paraná como “Fão do Bolsonaro”. Em 2022, com o mesmo nome, ele ficou suplente.

Na urna do RN, a preposição apareceu também do outro lado. Karlo Rodrigo Lucio Vieira disputou o governo em 2022 como “Rodrigo Vieira” e teve 1.045 votos. Em 2026, como “Rodrigo de Bolsonaro”, teve 434.

A casa já contou outros nomes que entram na tela: o “Delegado” e o “Professor”, o governador de um nome só e a patente que saiu do nome de Zucco.

O que a tela mostra

O dado não diz que um nome elegeu alguém. Os três “de Lula” de 2026 disputaram cargos de maioria, com partido e aliança por trás. Fão do Bolsonaro usou o mesmo nome em 2022 e em 2026 e teve dois resultados. Rodrigo trocou o nome e perdeu votos.

O que ele mostra é a tela. No Rio Grande do Norte, ela trouxe a mesma preposição duas vezes. A disputa de uma delas termina no domingo.

Como fizemos

  • Fontes. TSE, dados abertos: candidaturas de 2018, 2022, 2024 e 2026 (consulta_cand_<ano>.zip: nome civil, nome de urna, ocupação, situação) e votação por candidato, município e zona (votacao_candidato_munzona_<ano>.zip), 1º turno. Votos de 2026 e 2022 são válidos; os de 2018 (Zenaide) e de 2024 (Samanda, vereadora de Natal) são nominais, lidos no arquivo do RN.
  • Recorte e n. Candidaturas do 1º turno com a palavra inteira LULA ou BOLSONARO no nome de urna, em todos os cargos estaduais e federais, que chegaram à urna com resultado. Lula: 37 candidaturas (14, 12 e 11). Bolsonaro: 43 (7, 17 e 19). Ficaram fora as que a Justiça Eleitoral anulou antes do resultado, como a de Lula a presidente em 2018 e a de “Lula Cabral” na Paraíba no mesmo ano; contadas, 2018 teria 16 com Lula. A mesma pessoa pode aparecer em mais de um ano.
  • Como separamos o nome. Conferimos à mão, contra o nome civil: “é do candidato” quando a palavra está no registro civil ou, no caso de Lula, quando substitui Luiz ou Luis; “com de ou do” quando o nome de urna leva a preposição antes da palavra; “colado” nos demais, inclusive quando o nome é de oposição, como “Chris Col Bolsonaro Nunca Mais” (RS, 2022). “Eleito” inclui eleito por quociente, por média e quem foi ao 2º turno.
  • O que não está no dado. O TSE não registra por que o candidato escolheu o nome de urna, nem pede autorização de quem é citado nele. Não procuramos pesquisa de intenção de voto: a conta é só do resultado.
  • Limites. Com 5 candidaturas “de Lula” em três eleições, o n é pequeno. Cargos de maioria (governador e senador) somam o voto do partido e da aliança; a comparação entre 2022 e 2026 de Samanda mistura cargos. Nada aqui diz que o nome tirou ou deu voto.
  • Conta salva. eleicoes/calculos/samanda-de-lula-no-rn.py e o resultado em .json, com cada número do texto.

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