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Estados · O nome na urna

O governador chamado como vizinho, por um nome só, encolheu na urna: hoje é um quarto do que era em 2002

Tarcísio, Fábio, Zucco e JHC se elegeram com uma palavra na tela, e Allyson disputa o 2º turno no RN. Mas, dos 183 candidatos a governador de 2026, só 12 pediram voto assim. Em 2002, foram 50 de 195.

Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · 1º turno16 de outubro de 2026

Em São Paulo, quem digitou o número de governador no dia 4 leu uma palavra na tela da urna: TARCÍSIO. Em Sergipe, FÁBIO. No Rio Grande do Norte, ALLYSON. É o nome que se usa com o vizinho, por cima do muro, sem sobrenome.

Em 2002, um em cada quatro candidatos a governador pedia voto assim: 50 de 195. Em 2026, foram 12 de 183. É a menor conta desde 1998, a primeira eleição em que o arquivo do TSE deixa contar.

Em 24 anos, o nome de vizinho caiu a um quarto

A queda não foi em linha reta. A conta subiu de 1998 para 2002 e desceu até 2018. Em 2022, voltou a subir: 30 de 213 candidatos. Em 2026, caiu para menos da metade disso.

O nome de urna é o texto que aparece na tela depois do número. Quem escolhe é o candidato. A lei dá 30 caracteres para o nome, o apelido ou o nome pelo qual a pessoa é conhecida.

Candidatos a governador que pediram voto com um nome só, de cada 100

Toque numa barra para ver a conta do ano.

Em 2026: 12 de 183 candidatos. Quatro deles já se elegeram.
Cada barra é um ano de eleição para governador, 1º turno. O ponto verde conta os governadores eleitos com um nome só naquele ano. Em 2026, o 2º turno ainda não aconteceu.

No palácio, o nome só ficou

Entre quem chegou ao cargo, a conta mudou menos. Em cada eleição desde 1998, de 3 a 7 governadores se elegeram com um nome só. Em 2026, já são 4: Tarcísio (SP), Fábio (SE), Zucco (RS) e JHC (AL), todos no 1º turno.

Allyson disputa o 2º turno no Rio Grande do Norte, no dia 25, contra Cadu de Lula. Dos 33 candidatos que se elegeram ou foram ao 2º turno, 5 pediram voto com um nome só. São 15 de cada 100, o dobro da proporção entre todos os candidatos.

A conta não diz que o nome curto dá voto. Tarcísio e Fábio já tinham se elegido em 2022 com a mesma palavra na tela. Ela descreve quem usa o nome curto, não o que ele faz com o eleitor.

Cada quadrado é um candidato a governador

Toque num quadrado para ver o nome na urna.

um nome sóum nome só, eleito ou no 2º turnodois nomes ou mais

200250 de 195 com um nome só

202612 de 183 com um nome só

Toque num quadrado.
Quadrados em ordem de estado, de AC a TO; dentro do estado, do mais votado ao menos votado no 1º turno.

Primeiro nome, sobrenome ou sigla

Os cinco de 2026 cortaram o nome de jeitos diferentes. Tarcísio Gomes de Freitas ficou com o primeiro nome. Allyson Leandro Bezerra Silva também. Fabio Cruz Mitidieri também, e ganhou na urna o acento que o cadastro não tem: FÁBIO.

Luciano Lorenzini Zucco ficou com o sobrenome. Em 2022, na urna de deputado, ele era TENENTE CORONEL ZUCCO. A patente saiu; o sobrenome ficou sozinho.

João Henrique Holanda Caldas fez o contrário do apelido. Não escolheu uma palavra do nome. Juntou as iniciais de três delas: J, H e C. Holanda ficou de fora.

O apelido encurta o nome até a forma da conversa. A sigla encurta até a forma do documento: três consoantes, que só se leem soletradas. As duas cabem numa palavra.

Do nome no cadastro ao nome na tela

Toque na palavra que você acha que foi para a urna.

Nome completo e nome de urna como cada candidato os registrou no TSE em 2026.

Waldez, cinco vezes

No Amapá, Antônio Waldez Góes da Silva pediu voto como WALDEZ em cinco eleições para governador: 1998, 2002, 2006, 2014 e 2018. Perdeu a primeira no 2º turno. Venceu as outras quatro.

Fernando Collor de Mello tentou o governo de Alagoas três vezes como COLLOR: em 2002, 2010 e 2022. Não se elegeu em nenhuma. No Amapá, CLÉCIO se elegeu em 2022 e perdeu em 2026.

O nome de uma palavra é uma ponta do campo. A outra é o título antes do nome: Doutor, Professora, Delegado. Contamos quantos candidatos a governador e senador usam título e quantos chegam lá.

No dia 25, a tela do Rio Grande do Norte vai mostrar ALLYSON. Ele pode ser o quinto governador de um nome só em 2026. Em 2002, foram seis.

Como fizemos

  • Fonte. TSE, votação por candidato, município e zona, 1º turno, cargo de governador: votacao_candidato_munzona_2026 e os arquivos de mesmo nome de 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 (trocar o ano no endereço). Baixados em 15/10/2026.
  • Recorte. Um candidato por estado e por nome completo (NM_CANDIDATO). “Um nome só” é o nome de urna (NM_URNA_CANDIDATO) com uma palavra. Entram todos os candidatos com linha no arquivo do 1º turno, inclusive os que tiveram a candidatura contestada. n: 142 (1998), 195 (2002), 196 (2006), 149 (2010), 180 (2014), 184 (2018), 213 (2022) e 183 (2026).
  • Grafias. “DR.LUISINHO” (AC, 2026) vem sem espaço depois do ponto: contamos como título e nome, não como um nome só. Por isso 2026 tem 12, não 13. No arquivo de 1998, Tasso e Valdir (CE) vêm em minúsculas; a grafia é do TSE e não muda a conta.
  • Eleitos. Pela situação do candidato no arquivo do TSE (eleito no 1º turno, eleito no 2º turno, foi ao 2º turno). Em 2026, o 2º turno é em 25/10: seis estados ainda não têm governador eleito.
  • Fora da conta. 1994: o arquivo traz no campo do nome de urna o nome completo, cortado em 30 letras, e não o nome que o eleitor leu. O limite de 30 caracteres e o uso do apelido estão no art. 12 da Lei 9.504/1997.
  • Limites. A matéria conta nomes; não mede efeito do nome no voto. Não procuramos, em fonte oficial, por que cada candidato escolheu o nome que escolheu: o cadastro registra a escolha, não o motivo. Conta e números: eleicoes/calculos/o-governador-de-um-nome-so.py.

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