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Estados · O título na urna

Doutor, Professor, Coronel: na urna de governador e senador, o título chega lá metade das vezes que o nome sem título

Em 2018, 2022 e 2026, 194 candidatos a governador e senador começaram o nome de urna por um título. 10% se elegeram ou foram ao 2º turno; entre os 1.302 sem título, 18%. Mais da metade dos títulos vinha de partidos que nunca vencem esses cargos.

Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · 1º turno10 de outubro de 2026

No Tocantins, quem digitou o número de Dorinha Seabra no dia 4 de outubro leu na tela da urna: “Professora Dorinha”. Ela vai ao 2º turno para governadora. Em 2026, foi uma das 7 pessoas que chegaram lá com um título na frente do nome.

Outros 54 candidatos a governador e senador também escreveram um título. Ficaram no 1º turno.

O nome de urna é o discurso mais curto da eleição: duas ou três palavras que o eleitor lê na hora do voto. Para a Câmara, o letramento.org já contou o que os deputados escrevem ali. Aqui a conta é dos cargos em que poucos vencem: governador e senador.

Palpite: de cada 100 candidatos a governador e senador, quantos se elegeram ou foram ao 2º turno?

Somando todos os candidatos, 17 de cada 100 chegaram lá. E separando quem pôs título de quem não pôs?

Arraste cada barra até o seu palpite. Depois aperte o botão e veja o dado.

O título chega lá metade das vezes

Cem candidatos com título, cem sem título: quantos chegaram lá?

Cada quadrado é um candidato. Os pintados se elegeram ou foram ao 2º turno.

Com título

Sem título

Governador e senador, 2018 a 2026 somados. Fonte: TSE, consulta_cand.

Somadas as três eleições, 1.496 candidatos a governador e senador disputaram o 1º turno. Começaram o nome por um título 194 deles: 13 de cada 100.

Dos 194 com título, 19 se elegeram ou foram ao 2º turno. São 10 de cada 100.

Dos 1.302 sem título, 230 chegaram lá. São 18 de cada 100.

A distância aparece nas três eleições. Em 2018, 12 contra 18. Em 2022, 6 contra 16. Em 2026, 11 contra 18.

De cada 100 candidatos, quantos se elegeram ou foram ao 2º turno?

Governador e senador, 1º turno. “Chegou lá” = eleito no 1º turno ou foi ao 2º turno. Em 2018 e 2026 cada estado elegeu 2 senadores; em 2022, 1. Fonte: TSE, consulta_cand.

“Professor” é o título mais escrito, e um dos que menos chegam

Na urna de governador e senador, o título mais usado é Professor ou Professora. Foram 62 candidatos em três eleições, um de cada três títulos.

Chegaram lá 4 vezes: 6 de cada 100. Três delas são de mulheres: Professora Dorinha, no Tocantins, em 2022 e 2026, e Professora Maria do Carmo, no Amazonas, em 2026. A quarta é a do senador Professor Oriovisto, do Paraná, em 2018.

Agora o detalhe que muda a leitura: 51 dos 62 “Professor” eram de partidos que, de 2018 a 2026, não elegeram governador nem senador e não foram a nenhum 2º turno, como PSOL, PSTU, PCB e UP. O título não estava perdendo. Estava em partido que não ganha esses cargos.

Títulos de igreja (Pastor, Bispo, Irmão, Missionário) tentaram 22 vezes. Nenhum chegou.

Farda e distintivo chegou 9 vezes em 60: 15 de cada 100, perto da marca de quem não usa título. Doutor e Doutora, 5 em 42: 12 de cada 100.

Qual título chegou lá? De cada 100, 2018 a 2026 somados

Toque na barra para ver quem se elegeu ou foi ao 2º turno.

Toque numa barra.

Classificação pela primeira palavra do nome de urna. “Farda e distintivo” = Delegado, Coronel, Capitão, Major, Sargento, Comandante, Bombeiro e afins. Outros títulos (Juiz, Promotor) somam 8 candidatos e ficam fora do gráfico. Fonte: TSE, consulta_cand.

As 19 vezes em que o título chegou lá são de 15 pessoas. Capitão Contar (MS), Coronel Marcos Rocha (RO), Delegado Alessandro Vieira (SE) e Professora Dorinha (TO) chegaram duas vezes cada.

Na Câmara, a mesma direção

Para deputado federal, o título também elege menos que o nome sem título. De 2018 a 2026, 4 de cada 100 candidatos com título se elegeram. Sem título, 6 de cada 100.

Na Câmara, o título que mais elege é Delegado: 20 de cada 100. Para governador e senador, Delegado quase não aparece: 10 tentativas em três eleições. As duas que chegaram são do mesmo homem, Alessandro Vieira, eleito senador por Sergipe em 2018 e de novo em 2026.

A distância é maior aqui. Na Câmara, o título chega a dois terços da marca de quem não usa título. Para governador e senador, a pouco mais da metade. Quanto maior o cargo, menos a palavra antes do nome parece ajudar. Parece: o dado não autoriza mais que isso.

Com título e sem título: de cada 100 candidatos, quantos chegaram lá?

2018, 2022 e 2026 somados. Deputado federal: eleitos (3.899 candidatos com título, 21.547 sem). Governador e senador: eleitos ou no 2º turno (194 com título, 1.302 sem). Fonte: TSE, consulta_cand; Câmara em Os nomes de urna.

O que o número não diz

O dado mostra quem chegou lá usando cada palavra. Não mostra que a palavra tirou voto de alguém.

Boa parte dos títulos vem de partidos que não vencem esses cargos. De cada 100 candidatos com título, 53 eram de partidos que, nas três eleições, nunca elegeram governador ou senador nem foram ao 2º turno. Entre os sem título, 38.

Olhando só os partidos que chegaram lá ao menos uma vez naquele ano, a distância continua: 24 contra 31 de cada 100. Mas nesse grupo há só 80 candidatos com título. Com 80, a conta não assina nada.

Não existe, no dado, o mesmo candidato concorrendo com e sem o título. Fama, dinheiro de campanha e tempo de TV ficam fora da conta.

O que o dado mostra é a tela. Em 2026, 88 nomes se elegeram governador ou senador, ou foram ao 2º turno. 7 começam por um título. Os outros 81, não.

Como fizemos

  • Fonte. Arquivos consulta_cand do TSE de 2018, 2022 e 2026 (cdn.tse.jus.br, baixados em 05/10/2026), cargos governador e senador.
  • Quem conta. Candidatos do 1º turno com situação de resultado, um por candidatura: excluímos indeferidos e renúncias (situação “#NULO”). São 548 em 2018, 449 em 2022 e 499 em 2026.
  • Chegou lá. Eleito no 1º turno ou foi ao 2º turno. A régua vale igual para os três anos porque o 2º turno de 2026 ainda não aconteceu. Contando só quem venceu no fim, 2018 e 2022 ficam assim: com título, 7 de 68 e 3 de 65; sem título, 74 de 480 e 51 de 384. A direção é a mesma.
  • Título. A mesma régua de Os nomes de urna: a primeira palavra do nome de urna, sem acento e sem ponto. “Dr.”, “Dra” e “Doutora” contam como Doutor; “Prof.” e “Professora” como Professor; “Pr.” como Pastor; “Juíz” como Juiz. Conferimos à mão as abreviações. “Angelo Coronel” não conta: Coronel é sobrenome. “Jadilson Bombeiro” não conta: o título vem no fim.
  • Tamanho da amostra. Um ano sozinho tem cerca de 60 candidatos com título, pouco para uma conclusão. Por isso o texto soma os três anos. Com a soma, uma distância de 10 contra 18 surgiria por acaso menos de 1 vez em 100 (teste exato de Fisher, p = 0,005). Em 2026 sozinho, não passaria no teste. Quem se candidatou em mais de um ano conta uma vez por eleição.
  • Associação não é causa. O texto descreve quem chegou lá usando cada palavra; não mede o efeito do título sobre o voto. Quem usa título difere de quem não usa em partido, dinheiro e fama.
  • Números podem mudar com decisões judiciais, retotalizações e o 2º turno de 25/10/2026.
  • Cálculo. eleicoes/calculos/o-titulo-na-urna-do-governador.py e o resultado em o-titulo-na-urna-do-governador.json, no acervo do letramento.org.

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