Congresso · Os nomes da urna
Na urna, “Delegado” elegeu 1 em cada 5 candidatos; “Professor”, 1 em cada 50
Nas eleições de 2018, 2022 e 2026 para a Câmara, 155 candidatos puseram “Delegado” ou “Delegada” no nome de urna, e 31 se elegeram. Com “Professor” ou “Professora”, foram 941 tentativas e 19 vitórias. Em 2026, 61 dos 513 eleitos chegam com um título na frente do nome; 34 deles são de farda ou distintivo.
Reportagem · Congresso e partidosEleições 2026 · 1º turno5 de outubro de 2026
Na tela da urna, depois dos números, aparece um nome. É a palavra da campanha que o eleitor lê no momento do voto. Cada candidato escolhe a sua. Muitos escolhem começar por uma profissão: Doutor, Professor, Pastor, Delegado, Sargento.
O nome de urna é o discurso mais curto de uma eleição. Em uma palavra, o candidato diz quem é e o que promete. Esta reportagem mede quais dessas palavras chegaram à Câmara.
Palpite: de cada 100 candidatos com este título, quantos se elegeram?
Arraste cada barra. Depois aperte o botão. (Na média de todos os candidatos a deputado federal, 6,0 de cada 100 se elegeram.)
Uma palavra que elege, outra que não
Entre 2018 e 2026, 25.446 candidaturas a deputado federal chegaram à urna. Elegeram-se 1.539: 6,0 de cada 100.
Com “Delegado” no nome, a conta é outra. Foram 31 eleitos em 155 tentativas: 20 de cada 100. É mais que o triplo da média.
Com “Professor”, foram 19 eleitos em 941 tentativas: 2 de cada 100. É um terço da média. “Professor” é o título mais usado depois de “Doutor”, e um dos que menos elegem.
“Pastor” elegeu 4 de cada 100 (14 em 375). “Doutor”, também 4 (43 em 1.205). “Enfermeiro” e “Enfermeira” tentaram 74 vezes e não elegeram ninguém.
De cada 100 que puseram o título no nome, quantos se elegeram?
Câmara dos Deputados, 2018, 2022 e 2026 somados. Toque na barra para ver quantos tentaram.
A farda cresce, o púlpito encolhe
Em 2018, 22 eleitos usavam título policial ou militar: Delegado, Coronel, Sargento, Capitão, Cabo, General. Em 2022, 29. Em 2026, 34.
Os títulos de igreja (Pastor, Padre, Bispo, Frei) fizeram o caminho oposto: 8 eleitos em 2018, 7 em 2022, 4 em 2026. O título no nome não mede a fé de ninguém. Mede só o que o candidato quis escrever na urna.
“Doutor” e “Doutora” ficaram estáveis: 13, 14 e 16. Professores eleitos com o título foram 9, 4 e 6.
Os 513 eleitos, um ponto cada: quem pôs um título no nome?
Toque num ponto para ver o nome de urna.
A maioria usa o próprio nome
O título é exceção. Em 2026, 373 dos 513 eleitos usaram só palavras do nome de registro, como “Nikolas Ferreira” ou “Tabata Amaral”. São 73 de cada 100.
Outros 79 usaram um apelido ou um nome que não está no registro: “Zé Trovão”, “Juninho do Pneu”, “Yury do Paredão”. A fatia de apelidos ficou entre 15 e 16 de cada 100 nos três anos.
Os títulos que dão certo se repetem. Os 31 mandatos de “Delegado” desde 2018 são de 19 pessoas: vários se reelegeram com o mesmo nome. Os 14 de “Pastor” são de só 7 pessoas.
O que o número não diz
O dado mostra quem se elegeu com cada palavra. Não mostra que a palavra elegeu. Um delegado conhecido na TV teria votos com qualquer nome. Um professor pode perder por falta de dinheiro de campanha, não pelo título. Não existe, no dado, o mesmo candidato concorrendo com e sem o título.
O que o dado mostra é a escolha. 1.124 candidatos de 2026 decidiram que a primeira palavra do seu discurso seria a profissão. Na Câmara, a palavra que mais chegou foi a do distintivo.
Como fizemos
- Fonte. Arquivos consulta_cand do TSE de 2018, 2022 e 2026 (cdn.tse.jus.br, baixados em 05/10/2026), cargo deputado federal, uma linha por candidatura.
- Quem conta. Candidatos que chegaram à urna: excluímos os registros sem situação de resultado (indeferidos e renúncias). São 8.083 em 2018, 9.970 em 2022 e 7.393 em 2026. Eleito = “eleito por QP” ou “eleito por média”; os três anos fecham em 513.
- Título. Lemos a primeira palavra do nome de urna, sem acento e sem ponto: “Dr.”, “Dra”, “Doutora” contam como Doutor; “Prof.” e “Professora” como Professor; “Delegada” como Delegado. “Pastor Sargento Isidório” conta como Pastor, pela primeira palavra. Em “Tenente Coronel Zucco”, vale “Tenente”.
- Apelido. Sem título, o nome é “do registro” se todas as palavras estão no nome civil; senão, é “apelido”. A regra também chama de apelido um sobrenome emprestado de parente político ou uma grafia diferente do registro. É uma régua mecânica, não um julgamento.
- Tamanho da amostra. As taxas somam os três anos para não depender de poucos casos. Títulos com menos de 40 tentativas ficam fora do gráfico. Um mesmo deputado reeleito conta uma vez por eleição.
- Associação não é causa. O texto descreve quem se elegeu usando cada palavra; não estima o efeito do título sobre o voto. Quem usa “Delegado” e quem usa “Professor” difere em partido, dinheiro, fama e estado.
- Números podem mudar com decisões judiciais e retotalizações depois de 05/10/2026.
- Cálculo. eleicoes/calculos/os-nomes-de-urna.py e o resultado em os-nomes-de-urna.json, no acervo do letramento.org.
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