letramentoEleiçõesReportagem
← Eleições

Estados · Os campeões de 2022

A patente saiu do nome, e Zucco chegou ao governo: dos deputados mais votados de 2022, um em cada quatro subiu

Dos 27 campeões de voto para deputado federal, um por estado, 6 se elegeram senadores e 1 governador no 1º turno de 2026. Doze voltaram à Câmara. Na ficha do TSE, 7 escreveram “deputado” na profissão pela primeira vez.

Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · 1º turno15 de outubro de 2026

Em 2022, quem digitou 1022 no Rio Grande do Sul leu na tela da urna: TENENTE CORONEL ZUCCO. Na ficha que entregou ao TSE, no campo da profissão, ele escreveu: membro das Forças Armadas. Teve 259.023 votos, mais que qualquer outro candidato a deputado federal do estado.

Em 2026, a ficha mudou nos dois campos. O nome de urna ficou só ZUCCO. Na profissão, ele escreveu: deputado. Para governador, teve 3.516.048 votos, 58 de cada 100 votos válidos. Ficou em 1º em 475 das 497 cidades gaúchas e venceu no 1º turno.

Zucco é um dos 27 deputados federais mais votados de 2022, um por estado. Procuramos os 27 no cadastro de candidaturas de 2026, pelo CPF. Sete subiram de cargo: seis se elegeram senadores, um se elegeu governador.

Seis campeões chegaram ao Senado

Carol de Toni (PL) foi a mais votada para o Senado em Santa Catarina, com 33,5 de cada 100 votos. Arthur Lira (PP) ficou em 1º em Alagoas. Dr. Fernando Máximo (PL) ficou em 1º em Rondônia.

Bia Kicis (PL), no Distrito Federal, Deltan Dallagnol (Novo), no Paraná, e Júlio César (PSD), no Piauí, ficaram em 2º. Em 2026, cada estado tinha duas vagas no Senado. O 2º lugar também se elegeu.

Cada eleitor deu dois votos para senador. Por isso a conta é de cada 100 votos para senador, não de cada 100 eleitores.

Os 27 campeões de 2022: onde cada um foi parar

Troque o ano. Depois, toque num nome.

Câmaramais votados de 2022

Toque num nome para ver os votos de 2022 e de 2026, o cargo e o partido.
Cada etiqueta é o deputado federal mais votado de um estado em 2022. A borda tracejada marca quem foi o mais votado e não se elegeu. Votos do 1º turno.

Doze voltaram à Câmara, e Nikolas dobrou

Doze campeões disputaram de novo uma cadeira de deputado federal e se elegeram. Nikolas Ferreira (PL) passou de 1.492.047 votos em Minas Gerais para 3.119.318, pouco mais que o dobro.

Cinco dos doze voltaram a ser os mais votados do estado: Nikolas, André Fernandes (CE), Natália Bonavides (RN), Yandra Moura (SE) e Socorro Neri (AC).

Professora Rosa Neide (PT) fez o caminho contrário. Em 2022, foi a mais votada de Mato Grosso e não se elegeu: a cadeira depende também dos votos do partido, e a conta não chegou a ela. Em 2026, ficou em 2º e entrou.

Daniela do Waguinho foi a mais votada do Rio em 2022, com 213.706 votos. Em 2026, por outro partido, teve 53.345. Ficou em 55º e é suplente.

Três desceram para a Assembleia e se elegeram deputados estaduais: André Ferreira (PE), Detinha (MA) e Toinho Andrade (TO). Helder Salomão (PT) tentou o governo do Espírito Santo e ficou em 3º. Guilherme Boulos (SP), Otto Filho (BA) e Jhonatan de Jesus (RR) não estão no cadastro de candidaturas de 2026.

Quatro trocaram o nome que a urna mostra

O nome de urna é o texto que o eleitor lê depois de digitar o número. Quem escolhe é o candidato. A lei permite até 30 caracteres, com apelido ou o nome pelo qual a pessoa é conhecida.

Dos 24 campeões que concorreram em 2026, quatro trocaram esse texto. Zucco tirou a patente. Hugo Motta (PB) ficou só Hugo. Yandra de André virou Yandra Moura. Júlio César acrescentou um apelido: na tela de senador do Piauí, leu-se JÚLIO CÉSAR O JULIM DO LULA.

Subir de cargo não apaga o título por regra. Dr. Fernando Máximo se elegeu senador com o “Dr.” no nome, como em 2022. Em São Paulo, Guilherme Derrite fez o caminho de Zucco: Tenente em 2018, Capitão em 2022, Guilherme em 2026.

O nome na tela da urna e a profissão na ficha, em 2022 e em 2026

Toque numa tela para ver a de 2026.

Nome de urna e ocupação, como cada candidato os registrou no TSE. Riscado: o que saiu. Em cor: o que entrou.

Sete escreveram “deputado” pela primeira vez

A ficha tem outro campo que o próprio candidato preenche: a ocupação. Em 2022, 10 dos 27 campeões escreveram “deputado”. Em 2026, dos 24 que concorreram, 12 escreveram.

Sete escreveram pela primeira vez. Nikolas e Amom Mandel (AM) eram vereadores na ficha de 2022. Carol de Toni era advogada. Hugo Motta, médico. Josenildo (AP), servidor público estadual. Socorro Neri, professora de ensino superior. Zucco, militar.

Três tiraram a palavra da ficha. Detinha passou a se declarar assistente social. Rosa Neide, professora de ensino superior. Toinho Andrade, empresário.

Campeão do estado, não do país

Ser o mais votado do estado mede coisas de tamanhos diferentes. Em Roraima, 19.881 votos bastaram para o 1º lugar em 2022. Em Minas, foram 1.492.047, 75 vezes mais.

A sigla também mudou. Sete dos 24 voltaram à urna por outro partido. Três deles estão entre os sete que subiram: Deltan (do Podemos ao Novo), Zucco (do Republicanos ao PL) e Fernando Máximo (do União ao PL).

Na ficha de 2026, Zucco já não é tenente-coronel nem militar. É deputado. A próxima ficha terá outra palavra para escolher.

Como fizemos

  • Quem são os 27. O candidato a deputado federal com mais votos nominais válidos em cada estado e no DF, 1º turno de 2022 (TSE, votacao_candidato_munzona_2022).
  • Onde estão. Cadastro de candidaturas do TSE (consulta_cand_2026 e _2022). Ligamos 2022 e 2026 pelo CPF, não pelo nome. Situação (eleito, suplente, não eleito) como está no arquivo do TSE em 15/10/2026; pode mudar com recurso na Justiça Eleitoral.
  • Votos de 2026. TSE, votação por município e zona (votacao_candidato_munzona_2026), 1º turno, só votos válidos. O percentual divide os votos do candidato pelos votos nominais válidos do cargo no estado. No Senado, cada eleitor deu dois votos.
  • Nome e ocupação. Campos NM_URNA_CANDIDATO e DS_OCUPACAO do cadastro. São declarados pelo candidato; o TSE não confere a ocupação. Diferença só de ponto (DRA e DRA.) não conta como troca de nome. O limite de 30 caracteres está no art. 12 da Lei 9.504/1997.
  • Limites. São 27 pessoas, não uma amostra: o texto descreve o que cada uma fez, não uma tendência. Não buscamos por que Boulos, Otto Filho e Jhonatan de Jesus ficaram fora da urna; o cadastro só diz que não concorreram. Não consultamos os dados abertos da Câmara sobre o mandato de cada um.
  • A conta. eleicoes/calculos/os-campeoes-de-2022-subiram.py, com o resultado em .json ao lado: cada número deste texto está lá.

Viu um erro? Discorda?

Aponte aqui. A redação confere na conta e nos dados oficiais e responde em público, nesta página: diz se acata ou não acata, e por quê. Erro acatado vira correção na própria matéria.

O que você quer fazer?

Diga onde está e o que está errado, ou do que você discorda. Até 1.500 caracteres. Não publicamos insulto, dado pessoal nem propaganda.

Erros e críticas dos leitores

Abrindo o balcão…