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Cidade de São Paulo · Deputado federal · 1º turno de 2026

Em São Paulo, 10 deputados têm voto de bairro; 8 têm voto na cidade inteira

Dos 25 deputados federais que ficaram entre os cinco mais votados de alguma das 57 zonas eleitorais da capital, 10 juntaram metade dos votos em até 8 zonas. Os 8 que espalharam o voto foram todos eleitos; dos 10 de bairro, 4.

ReportagemCidade e zona7 de outubro de 2026

O nome de urna já é um endereço. Danilo do Posto de Saúde (Podemos) teve 45.063 votos para deputado federal na capital paulista. 40 de cada 100 saíram de uma só zona eleitoral, a 254, na Vila Maria, zona norte. Somada a zona vizinha, a 420 (Vila Medeiros), são 72 de cada 100. As outras 55 zonas da cidade, juntas, deram 28.

Antes de seguir, um palpite.

Em quantas das 57 zonas Danilo do Posto de Saúde juntou metade dos seus votos?

Arraste e depois toque em “Ver a resposta”. A faixa clara de cada barra é a cidade inteira: 57 zonas.

Zonas ordenadas da mais forte para a mais fraca de cada candidato; conta-se quantas são precisas para somar metade dos votos que o candidato teve na capital. TSE, 1º turno de 2026.

O mais votado da cidade fez o caminho oposto. Lucas Pavanato (PL) teve 785.870 votos na capital e foi o primeiro em 45 das 57 zonas. A zona em que foi mais forte, a 350 (Sapopemba), deu só 2,5 de cada 100 votos do candidato. Para juntar metade, são precisas 24 zonas.

Esta é a régua da reportagem: em quantas zonas o candidato junta metade dos votos que teve na cidade? Se tivesse a mesma fatia em toda a capital, precisaria de 25 zonas. Não são 29 porque as zonas têm tamanhos diferentes. Chamamos de voto de bairro quem junta metade em até 8 zonas. Chamamos de voto espalhado quem precisa de 20 ou mais.

A lista tem os 25 candidatos que ficaram entre os cinco mais votados de pelo menos uma zona. 10 têm voto de bairro, 7 ficam no meio e 8 espalham. Só 4 nomes foram os primeiros de alguma zona: Lucas Pavanato (45), Erika Hilton (7), Dra. Sandra Tadeu (3) e Danilo do Posto de Saúde (2).

Quantas zonas cada um precisa para juntar metade dos votos na capital

Barra curta = voto de bairro. A linha tracejada é quem tem a mesma fatia em toda a cidade (25 zonas). Toque num nome para vê-lo no mapa logo abaixo.

bairro (até 8)meioespalhado (20 ou mais)
Os 25 deputados federais que ficaram entre os cinco mais votados de ao menos uma das 57 zonas da capital. Votos nominais válidos, TSE, 1º turno de 2026. “Elegeu-se” vale para o estado inteiro: a vaga se decide com os votos de todo o estado de São Paulo.

Quem espalha tem mais voto. Na capital, o candidato do meio da lista de voto espalhado teve 196.394 votos; o do meio da lista de voto de bairro, 40.894. Os 8 de voto espalhado foram eleitos. Dos 10 de bairro, 4 foram eleitos: Dra. Sandra Tadeu, Jilmar Tatto, Nilto Tatto e Carlos Zarattini. A vaga se decide com os votos do estado inteiro, e esta reportagem olha só a capital.

No mapa, cada candidato pinta as zonas pela fatia que teve nelas. O contorno preto marca as zonas que, juntas, dão metade dos votos do candidato. Em Pavanato, o contorno cobre a cidade em retalhos. Em Danilo, são duas manchas coladas no norte.

Onde cada deputado teve voto na capital

Escolha um nome. Cor mais escura = mais votos de cada 100 naquela zona. Toque ou passe o mouse numa zona para ver o número.

Fatia de cada candidato nos votos nominais válidos para deputado federal da zona. Contorno das zonas aproximado, desenhado a partir dos locais de votação (o TSE não publica o polígono da zona). Cada zona leva o nome do distrito com mais eleitores dentro dela.

O voto de bairro mora nas duas pontas da leitura

Separamos as 57 zonas em três grupos de 19 pela nota de português do 9º ano, no Saeb 2025, das escolas públicas onde se vota. O grupo de baixo tem a leitura mais fraca; o de cima, a mais forte. Na cidade inteira, 35 de cada 100 votos nominais para deputado federal saíram das zonas que leem pior e 31 das que leem melhor.

Nilto Tatto (PT) tirou 61 de cada 100 votos das zonas que leem pior e 7 das que leem melhor. Cris Monteiro (Novo) fez o inverso: 73 de cada 100 vieram das zonas que leem melhor e 8 das que leem pior. Os dois têm voto de bairro, em pontas opostas da régua. Dos 10 de voto de bairro, 4 tiram mais da metade dos votos das zonas que leem pior; 2 tiram mais de dois terços das zonas que leem melhor.

Os dois mais votados ficam no meio. Pavanato teve 34 de cada 100 votos nas zonas que leem pior e 31 nas que leem melhor, quase o mesmo retrato da cidade. Contado de outro jeito: Pavanato teve 12,7% dos votos nominais nas zonas que leem pior e 13,1% nas que leem melhor. Erika Hilton (PSOL) teve 10,2% e 10,5%.

De onde vem o voto de cada um: das zonas que leem pior ou das que leem melhor?

De cada 100 votos do candidato na capital. A primeira barra é a cidade inteira, para comparar. Troque o grupo.

19 zonas que leem pior19 do meio19 zonas que leem melhor
Leitura: média da nota de Língua Portuguesa do 9º ano (Saeb 2025) das 845 escolas públicas que são locais de votação e têm nota, ponderada pelos eleitores de cada local. Varia de 243,1 a 282,3 pontos entre as zonas.

O dado não diz como cada um pediu voto. Diz onde o voto caiu. O voto de bairro depende de um pedaço da cidade: a periferia que lê pior ou os bairros que leem melhor. Os dois mais votados da capital tiveram a mesma fatia dos dois lados da régua da leitura. E num dos nomes de urna, o endereço está escrito.

Como fizemos

  • Votos: TSE, votação por candidato, município e zona, 1º turno de 2026 (arquivo final de 05/10/2026). Cargo deputado federal, município de São Paulo, 57 zonas, 6.004.718 votos nominais válidos (candidatura com voto “Válido”). Ficam fora os votos de legenda, que não têm candidato, e 12.003 votos em candidaturas anuladas sub judice; a maior delas teve 5.111 votos na cidade inteira, longe dos cinco primeiros de qualquer zona.
  • Quem entra: os 25 candidatos que ficaram entre os cinco mais votados de pelo menos uma zona.
  • A régua: para cada candidato, as zonas vão da mais forte para a mais fraca, e conta-se quantas são precisas para somar metade dos votos que ele teve na capital. Contrafactual: com a mesma fatia em todas as zonas, os votos acompanhariam o tamanho de cada zona, e metade viria de 25 zonas. Voto de bairro = até 8 zonas; espalhado = 20 ou mais; o meio fica entre os dois. Os cortes são nossos; com outros cortes, os grupos mudam de tamanho, mas a ordem da lista não muda.
  • Leitura: cada local de votação foi ligado à escola pública do Censo Escolar 2025 (mesmo casamento de Em São Paulo, Lula perdeu votos perto das escolas mais pobres). Nota de Língua Portuguesa do 9º ano no Saeb 2025 (Inep), média por zona ponderada pelos eleitores, 845 escolas. A nota é dos alunos da escola, não de quem vota nela.
  • Limites: associação não é causa. O texto descreve onde os votos caíram, não por quê. A eleição de deputado é estadual: quem tem voto de bairro na capital pode ter voto espalhado no interior. O contorno das zonas é aproximado.
  • Cálculo: eleicoes/calculos/sao-paulo-o-voto-para-deputado.py (resultado em .json) e _pagina.py.

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