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Estados · Os campeões das Assembleias

Eduarda, Bruno, Ana, Índia: o deputado estadual mais votado é do PL em 12 estados, quatro vezes mais que em 2022

Em 2022, eram 3 dos 27. As mulheres no topo da lista passaram de 5 para 9, e só 7 campeões repetiram o posto. Em 11 dos 27, o nome que a urna mostrou tem uma palavra que não está no documento.

Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · 1º turno12 de outubro de 2026

Eduarda. Bruno. Ana. Índia. Cabo Bebeto, Coronel Azevedo, Marcinho Belota, Carol do Amiltinho, Zé Teixeira. No dia 4 de outubro, o eleitor digitou cinco números para deputado estadual, e a urna mostrou um nome. Estes estão entre os 27 que mais apareceram na tela, um por estado.

Doze dos 27 são do PL. Em 2022, eram 3: Minas Gerais, Santa Catarina e Ceará. Agora o partido tem o deputado estadual mais votado em 12 estados, quatro vezes mais. O MDB vem depois, com 3. Nenhum outro partido passa de 2.

Os 27 nomes mais votados para deputado estadual

Quanto maior o nome, maior a fatia dos votos do estado. Troque o ano. Toque num nome para ver os números.

PLoutros partidosa sigla pequena é o estado
Toque num nome.
O deputado estadual (no Distrito Federal, distrital) com mais votos em cada estado no 1º turno. O tamanho segue a fatia dos votos dados a candidatos ao cargo no estado, sem os votos de legenda.

Nove mulheres no topo da lista

Nove dos 27 campeões são mulheres. Em 2022, eram 5.

Ana Campagnolo (PL) dobrou a votação em Santa Catarina: de 196.571 para 387.523 votos. Foram 9,6 de cada 100 votos dados a candidatos a deputado estadual no estado. Nenhum campeão teve fatia maior.

Eduarda Campopiano (PL), de São Paulo, teve 1.956.238 votos aos 23 anos. É a mais nova dos 27. A história dela está em “Eduarda Campopiano, a vereadora”. O mais velho é Zé Teixeira (PL), de Mato Grosso do Sul: pecuarista, 86 anos.

No Rio, o posto ficou com Índia Armelau (PL), que teve 248.504 votos, mais de quatro vezes os 57.582 de 2022. O mapa do voto dela está em “Índia Armelau, a mais votada do Rio”.

Só sete seguraram o posto

Sete campeões de 2022 repetiram o feito: Bruno Engler (PL) em Minas, Ana Campagnolo em Santa Catarina, Ivana Bastos (PSD) na Bahia, Chamonzinho (MDB) no Pará, Cristiano Cavalcante (União) em Sergipe, Laerte Gomes (PSD) em Rondônia e Nicolau Júnior (PP) no Acre.

Seis campeões de agora nem foram candidatos em 2022. Eduarda Campopiano está entre eles.

A maior queda foi em Pernambuco. Pastor Júnior Tércio (PP), o campeão de 2022, teve 183.735 votos naquela eleição e 75.534 nesta. Continua na Assembleia. O posto ficou com Dani Portela (PT), que passou de 38.215 para 146.123.

No Tocantins, o posto mudou de mãos por 46 votos. Eduardo Fortes (Republicanos) teve 35.258. Leo Barbosa, o campeão de 2022, teve 35.212.

Um nome, várias cadeiras

Para ganhar uma cadeira, o partido precisa juntar um mínimo de votos. É o quociente eleitoral: os votos válidos do estado divididos pelo número de cadeiras. Em São Paulo, em 2026, foram cerca de 248 mil votos por cadeira.

Em 18 dos 27, o campeão sozinho passou dessa marca. Eduarda Campopiano teve votos para quase 8 cadeiras. Bruno Engler, para mais de 4 em Minas. Ana Campagnolo, para mais de 3 em Santa Catarina. O voto que passa da marca conta para o partido, e o partido usa a sobra para eleger outros nomes da sua lista.

Onze nomes que não estão no documento

O nome que a urna mostra é escolhido pelo candidato. Não precisa ser o do documento. Em 11 dos 27 campeões, o nome de urna tem uma palavra que não está no registro civil. Em 2022, eram 8.

Luiz Alberto virou Cabo Bebeto. André Luiz virou Coronel Azevedo. Márcio virou Marcinho. José virou Zé, duas vezes. Danielle virou Dani. Amanda virou Índia. Wenderson Azevedo Chamon virou Chamonzinho: o sobrenome no diminutivo. Adriane Cerini virou Adri Cherini, com “h”. Christiano virou Cristiano, sem.

Em Goiás, Ana Caroline virou Carol do Amiltinho. O nome de urna da campeã leva junto outro nome: Amiltinho. A ficha do TSE não diz de quem é.

Título na frente do nome, só dois: Cabo e Coronel. Em 2022, eram três: Pastor, Delegado e Soldado. Nenhum campeão de 2026 se apresenta como Doutor, Professor ou Pastor. Os títulos na urna são tema de outra reportagem.

Do documento à urna

Em destaque, a palavra que não está no nome de registro. Use a lupa para ver só esses.

    Em cima, o nome que apareceu na urna; embaixo, o nome civil registrado no TSE. A comparação é palavra por palavra, sem acento: “Zé” não é “José”, e “Cherini” não é “Cerini”.

    Para onde foram os campeões de 2022

    Dos 27 campeões de 2022, 7 repetiram o posto e outros 7 voltaram à Assembleia sem ele. Sete se elegeram deputados federais. Cinco tentaram o Senado ou o governo do estado e perderam. Um, Delegado Inácio (PDT), do Amapá, não foi candidato em 2026.

    Alexandre Curi (PSD), campeão do Paraná em 2022 com 237.033 votos, teve 1.947.135 para senador. Não bastou.

    Os 27 campeões de 2022, quatro anos depois

    Cada etiqueta é um campeão de 2022, com os votos que teve em 2026.

    Cruzamento pelo CPF entre as candidaturas de 2022 e de 2026. “Voltaram à Assembleia sem o posto”: eleitos deputados estaduais de novo, mas não o mais votado do estado.

    Dos 27 nomes, 20 mudaram. Eduarda, Bruno, Ana. Cabo, Coronel, Zé. A tela da urna continua a mesma: cinco números e o nome que cada um escolheu.

    Como fizemos

    • Fonte. Tribunal Superior Eleitoral, arquivos finais da votação por município e zona de 2022 e de 2026 (votacao_candidato_munzona_2026 e _2022), cadastro de candidaturas (consulta_cand_2026 e _2022) e votação por partido de 2026 (votacao_partido_munzona_2026).
    • Recorte. 1º turno; deputado estadual nos 26 estados e deputado distrital no Distrito Federal. São 27 campeões em cada ano. Só entram votos nominais válidos: os votos de candidaturas anuladas na Justiça ficam de fora, e os votos só na legenda do partido também. A fatia “de cada 100” é sobre os votos dados a candidatos ao cargo no estado.
    • 2022 e 2026. Ligamos as duas eleições pelo CPF do candidato, não pelo nome. A idade é a do dia da eleição, pela data de nascimento declarada. Ocupação é a que o candidato declarou.
    • Quociente. Votos válidos para o cargo no estado (nominais e de legenda) divididos pelo número de eleitos no arquivo do TSE. É a regra da lei; aqui o cálculo serve só para medir o tamanho de cada votação.
    • O nome. Comparamos, palavra por palavra e sem acento, o nome de urna com o nome civil registrado. Artigos como “do” e “da” não contam. Apelido de forma reduzida (Zé, Dani) conta como palavra nova.
    • O que ficou de fora. A pauta pedia também o que os campeões propuseram nas Assembleias. Não há uma base nacional das 27 casas legislativas, e a consulta a 27 portais não coube no prazo desta edição. O cadastro do TSE também não diz quem é o “Amiltinho” do nome de urna de Goiás.
    • Conta. O cálculo está em eleicoes/calculos/os-campeoes-das-assembleias.py (com a etapa _agregar.py) e o resultado em os-campeoes-das-assembleias.json.

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