letramentoEleiçõesReportagem
← Eleições

Escolas e seções · O nome da escola

Professora é o título mais escrito nas escolas onde se vota

Das 77.516 escolas que foram local de votação em 2026, 12 de cada 100 têm “Professor” ou “Professora” no nome. Título de político aparece em 2,6. Quando o título mostra o gênero, 69 de cada 100 professores estão no feminino; entre os políticos, 2.

Reportagem · Escolas e seçõesEleições 2026 · 1º turno10 de outubro de 2026

Em Salvador, 10.735 eleitores estavam inscritos para votar no Colégio Estadual Professora Noêmia Rego. Na mesma cidade, 11.228 votavam no Colégio Estadual Presidente Costa e Silva.

Uma escola lembra uma professora. A outra, um general que governou o país. O eleitor lê os dois nomes antes de ler o de qualquer candidato: estão na fachada e no aplicativo do TSE.

O nome da escola é um texto público. Alguém o escolheu para ficar na parede. Lemos o nome de todos os 95.113 locais de votação do Brasil no 1º turno de 2026.

77.516 têm nome de escola: 81,5 de cada 100 locais. Neles estavam inscritos 88 de cada 100 eleitores. Chamamos cada um de escola-local. Contamos as palavras que vêm antes do nome do homenageado: Professora, Deputado, Padre, Doutor, Coronel.

Seu palpite: qual destes títulos aparece em mais escolas onde se vota?

Toque em uma opção.

Professor vence político por quase 5 a 1

“Professor” ou “Professora” está no nome de 9.291 escolas-local. São 12 de cada 100.

Título de político (deputado, senador, governador, prefeito, presidente ou vereador) está em 1.979. São 2,6 de cada 100.

Os títulos religiosos, como padre, frei e irmã, somam 2.462. Doutor, 1.840. Patente militar, 1.246.

Em gente: 23,2 milhões de eleitores estavam inscritos numa escola com “Professor” ou “Professora” no nome. São 15 de cada 100 eleitores do país.

Professora no feminino; político no masculino

O título mostra o gênero quando vem por extenso ou como “Profa.”. Em 6.218 escolas, o título de professor mostra o gênero. Em 4.306 delas, está escrito Professora: 69 de cada 100.

No título de político, o feminino quase não aparece. São 24 escolas com Deputada, Senadora, Governadora, Prefeita ou Vereadora. No masculino, 1.267.

Na parede da escola, a maioria de quem ensinou é mulher. Quase todos os que governaram são homens.

De cada 100 títulos que mostram o gênero, quantos estão no feminino?

Toque numa barra para ver os números.

Fora da conta: 3.073 escolas com só “Prof.” e 688 com “Presidente” ou sigla (Dep., Ver.), que não mostram o gênero. Fonte: TSE, locais de votação 2026.

São Paulo escreve “Prof.”; Brasília escreve números

Em São Paulo, 38 de cada 100 escolas-local têm “Professor” ou “Professora” no nome. É mais de três vezes a média do país, de 12.

Só São Paulo tem 3.818 desses nomes: 41 de cada 100 do Brasil.

No Ceará, são 3,9 de cada 100. No Rio Grande do Sul, 4,2.

No Distrito Federal, só 2 das 573 escolas-local têm o título. Ali a escola tem número: Escola Classe 10, Centro de Ensino Fundamental 27. 68 de cada 100 escolas-local de Brasília têm número no nome. No resto do país, 2 de cada 100.

O título de político varia menos. Em nenhum estado passa de 4,5 de cada 100 escolas.

De cada 100 escolas onde se vota, quantas têm o título no nome?

Toque num estado para ver os números. A linha pontilhada é o Brasil.

Escola-local: local de votação com nome de escola (por extenso ou sigla). Fonte: TSE, locais de votação 2026.

A rede estadual põe mais título no nome

Para saber a rede, casamos os locais com o Censo Escolar 2025. Na escola estadual, 18,5 de cada 100 têm Professor(a) no nome. Na municipal, 11,6.

São Paulo pesa nessa conta. Sem São Paulo, ficam 10,8 contra 8,5.

Em 19 de 25 estados, a rede estadual tem mais Professor(a) no nome que a municipal. Com título de político, também 19 de 25.

Na escola particular, o título quase não aparece: 25 com Professor(a) e 8 com título de político, em 3.088 escolas.

De cada 100 escolas de cada rede, quantas têm o título?

■ Professor(a)   ■ Político

Só locais casados com uma escola do Censo Escolar 2025 (69.852 de 95.113). Fontes: TSE e INEP.

Que presidente o nome lembra

429 escolas-local têm “Presidente” no nome. Os mais lembrados são Tancredo Neves (64), Castelo Branco (61) e Costa e Silva (49).

Os cinco generais que presidiram o país no regime militar (Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo) estão em 159 desses nomes: 37 de cada 100.

John Kennedy, presidente dos Estados Unidos, está em 45. Getúlio Vargas, em 42.

O que a conta não diz

A conta lê o título, não a vida da pessoa. Getúlio Vargas aparece sem a palavra “Presidente” em outras 184 escolas, e elas ficam fora da conta de político. Ulysses Guimarães aparece como Doutor.

A maioria das escolas não tem título nenhum dos contados: 78 de cada 100. Ali o nome é de uma pessoa sem título, de um santo, de um bairro ou de um número.

Homenagem não é voto. Não cruzamos o nome da escola com o resultado da urna: nada no dado liga uma coisa à outra.

Como fizemos

  • Fonte: TSE, “eleitorado por local de votação”, 1º turno de 2026. São 95.571 locais; 95.113 no Brasil (exterior fora). Local é estado, município, zona e número do local. A mesma escola em duas zonas conta duas vezes; contando uma vez cada número, são 83.199.
  • A régua (uma só): nome em maiúsculas, sem acento e sem pontuação; contamos palavras inteiras. Escola é o nome com “Escola” ou “Colégio” por extenso (42.937) ou com sigla de escola, como E.E., EMEF, CIEP, C.E., U.E., creche ou instituto (77.516 no total). Professor(a) é Prof., Profa., Profª, Professor ou Professora (“Profissional” não entra). Político é Deputado(a), Senador(a), Governador(a), Prefeito(a), Presidente ou Vereador(a), por extenso ou abreviado (Dep., Sen., Gov., Pref., Pres., Ver.). Antes de contar, apagamos nome de cidade com título (“de Presidente Kennedy”, Governador Valadares). Sigla no fim do nome não conta.
  • Conferência à mão: lemos 300 nomes sorteados. Com Professor(a), 60 de 60 certos. Com título de político, 58 de 60: “Sítio Venha Ver” e “Sun Yat Sen” não eram vereador nem senador. Criamos a regra da sigla no fim do nome, e uma nova amostra de 40 nomes só com sigla deu 40 certos. Em 80 escolas sem título achado, nenhum professor ficou de fora; 1 político ficou (“Ministro”, que não está na lista), e 2 eram prédios que já foram escola. Padre, Doutor e patente militar: 60 de 60 certos.
  • Rede: o TSE não traz o código da escola. Usamos o casamento pelo nome, município e coordenadas da reportagem Para 8 de cada 10 eleitores, a urna fica numa escola, com o Censo Escolar 2025 (INEP): 69.852 locais com par. A comparação entre estados usa os 25 com pelo menos 150 escolas estaduais e 150 municipais casadas.
  • Limites: o nome é o da ficha do TSE, que pode abreviar diferente da fachada. Nomes antigos entre parênteses (“antiga Pres. Roosevelt”) contam. Um nome pode ter dois títulos (“Prof. Dr.”) e conta nos dois. Não sabemos quando cada nome foi dado.
  • Cálculo: eleicoes/calculos/o-nome-da-escola-que-vira-urna.py (resultado em .json); página: o-nome-da-escola-que-vira-urna_pagina.py.

Viu um erro? Discorda?

Aponte aqui. A redação confere na conta e nos dados oficiais e responde em público, nesta página: diz se acata ou não acata, e por quê. Erro acatado vira correção na própria matéria.

O que você quer fazer?

Diga onde está e o que está errado, ou do que você discorda. Até 1.500 caracteres. Não publicamos insulto, dado pessoal nem propaganda.

Erros e críticas dos leitores

Abrindo o balcão…