Escolas e seções · Locais de votação
Para 8 de cada 10 eleitores, a urna fica numa escola
No 1º turno de 2026, 83 de cada 100 eleitores tinham a seção numa escola do Censo Escolar. Metade dos locais de votação são escolas municipais. E 42 de cada 100 dessas escolas municipais não têm biblioteca nem sala de leitura.
Reportagem · Escolas e seçõesEleições 2026 · 1º turno9 de outubro de 2026
No Colégio Estadual Luiz Viana, em Salvador, cabem 65 seções eleitorais. Nelas estão inscritos 25.806 eleitores. É a escola com mais eleitores do Brasil.
No domingo, 4 de outubro, a urna eletrônica ficou em cima de carteiras escolares. A cena se repetiu em quase todo o país. O voto se digita onde, nos outros dias, se aprende a ler.
O TSE lista 95.113 locais de votação no Brasil em 2026. Neles estão 157,8 milhões de eleitores. Cruzamos essa lista com o Censo Escolar 2025, escola por escola.
Seu palpite: de cada 100 eleitores, quantos têm a seção dentro de uma escola?
Arraste e depois toque em “Ver o dado”.
São 83 de cada 100. É o número que confirmamos no Censo: 131,4 milhões de eleitores votam numa das 69.171 escolas que achamos na lista do TSE.
O número real é maior. Outros 11.996 locais têm nome de escola, mas não achamos o par no Censo. Somados, chegam a 94 de cada 100 eleitores.
A urna mora na escola municipal
A escola municipal é o local de votação mais comum. É metade dos locais do país: 49 de cada 100.
A escola estadual tem menos prédios, mas prédios maiores. É 21 de cada 100 locais e recebe 35 de cada 100 eleitores.
A escola particular quase não entra. Recebe 6 de cada 100 eleitores, ou 9,0 milhões.
Onde fica a urna?
Em cada 100. Troque entre prédios e eleitores.
Vista do outro lado, a conta muda. O Censo tem 42.454 escolas particulares em funcionamento. Só 2.929 receberam urna. São 7 de cada 100.
Entre as escolas estaduais, 65 de cada 100 viraram local de votação. Duas em cada três.
Que escola vira urna?
Escolas em funcionamento que receberam seção eleitoral em 2026, em cada 100, por rede.
A urna numa escola sem biblioteca
O Censo Escolar pergunta a cada escola se ela tem biblioteca ou sala de leitura. Olhamos a resposta das escolas que viraram local de votação.
Em 21.155 delas, a resposta foi não. É quase 1 em cada 3 escolas-urna: 31 de cada 100.
Elas são, em geral, escolas pequenas: 53 de cada 100 ficam na zona rural. Recebem em média 1.028 eleitores; as que têm biblioteca, 2.315.
Mesmo assim, a conta pesa. 21,8 milhões de eleitores tinham a seção numa escola sem biblioteca nem sala de leitura. São 17 de cada 100 eleitores das escolas que conseguimos medir.
A falta se concentra na rede municipal. Lá, 42 de cada 100 escolas-urna não têm nem uma coisa nem outra. Na estadual, 10. Na particular, 8.
Que escola-urna não tem biblioteca nem sala de leitura?
Em cada 100, por rede. Troque entre escolas e eleitores.
O estado muda tudo. No Maranhão, 43,0 de cada 100 eleitores das escolas-urna tinham a seção numa escola sem biblioteca nem sala de leitura. No Piauí, 42,3. Em Minas Gerais, 4,8. No Distrito Federal, 3,1.
E no seu estado?
Eleitores que tinham a seção numa escola sem biblioteca nem sala de leitura, em cada 100 eleitores das escolas-urna. Toque num estado.
O que o dado não diz
A pauta perguntava se o eleitor vota onde o filho estuda. O dado não responde. O TSE não liga eleitor a família, e o Censo não liga aluno a eleitor. O que se mede é o prédio.
Também não dá para dizer que a escola sem biblioteca muda o voto. A biblioteca é do aluno, não do eleitor. O que o dado mostra é outra coisa: o lugar que o país escolhe para votar é a escola, e a escola que recebe o voto nem sempre tem onde guardar um livro.
Como fizemos
- Locais de votação: TSE, “eleitorado por local de votação” do 1º turno de 2026 (arquivo gerado em 3/10/2026). São 514.464 seções, agrupadas em 95.113 locais (município, zona e número do local), em 5.571 municípios. Exterior fora. “Eleitores” são os inscritos na seção, não os que compareceram.
- Escolas: INEP, Censo Escolar 2025, tabela de escolas: rede, situação, zona e o campo “biblioteca ou sala de leitura”.
- Cruzamento: o TSE não traz o código da escola. Casamos pelo município e pelo nome (sem palavras como “escola”, “municipal”, “EMEF”), conferido pela distância entre as coordenadas dos dois cadastros quando ambos têm. 69.852 locais acharam par (73 de cada 100), em 69.171 escolas diferentes. Uma amostra de casamentos com nome menos parecido foi lida à mão: os pares eram a mesma escola, mas em poucos casos a rede pode ter mudado (escola estadual que passou ao município).
- Limites: ficaram sem par 25.261 locais (26,4 milhões de eleitores). Muitos são salões, igrejas, clubes e postos de saúde; 11.996 têm nome de escola e não foram achados. Por isso 83 de cada 100 é um piso, e 94 um teto. O casamento funciona pior em alguns estados (no Distrito Federal, por exemplo, os nomes do TSE e do INEP são escritos de outro jeito), então a comparação entre estados usa só as escolas casadas. Biblioteca é o que a própria escola declarou ao Censo.
- Cálculo:
eleicoes/calculos/a-escola-que-virou-urna.py(resultado em.json).
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