Cidade e zona · Rio de Janeiro
Rick, Freixo, Fabinho da Feira: 19 candidatos a deputado federal venceram em alguma zona do Rio. Em São Paulo, 4
Vencer numa zona não elege ninguém: dos 19, 12 se elegeram. O mais votado da capital, Rick Azevedo (PSOL), teve 3 de cada 100 votos dados a candidatos e ficou à frente em 9 das 49 zonas. Nenhuma outra capital teve mais de 5 vencedores de zona. Em 12 delas, um só venceu todas.
Reportagem · Cidade e zonaEleições 2026 · 1º turno15 de outubro de 2026
Rick Azevedo. Freixo. Marcio Ribeiro. Luciano Vieira. Fabinho da Feira. São cinco dos 19 nomes que ficaram à frente em pelo menos uma zona eleitoral do Rio na disputa para deputado federal, em 4 de outubro.
A cidade tem 49 zonas. Cada uma é um pedaço do mapa, com seus locais de votação. Em cada pedaço, um candidato teve mais votos que os outros. No Rio, 19 candidatos diferentes foram esse primeiro em pelo menos um pedaço.
Ficar em primeiro numa zona não dá vaga a ninguém. A vaga de deputado federal depende dos votos no estado inteiro e da soma do partido. Dos 19, 12 se elegeram.
Nenhuma outra capital chegou perto. Em Salvador, 5 candidatos venceram em alguma zona. Em São Paulo, com 57 zonas, 4.
Quem teve mais votos para deputado federal em cada zona do Rio
Toque num nome. O mapa acende as zonas dele.
Toque numa zona para ver quem ficou à frente e por quantos votos.
O mais votado da cidade teve 3 de cada 100 votos
Rick Azevedo (PSOL) foi o deputado federal mais votado da capital: 106.678 votos. É pouco perto do total. Os candidatos receberam 3.113.437 votos na cidade, e ele ficou com 3 de cada 100.
Ele ficou à frente em 9 zonas. Freixo (PT), o segundo da cidade, com 101.700 votos, em 6. Marcio Ribeiro (PSD) e Luciano Vieira (PSDB) venceram 5 cada.
Os 765 candidatos dividiram os votos em fatias finas. Os 19 nomes do mapa somaram 30 de cada 100 votos da cidade. Os outros 70 foram para quem não venceu zona nenhuma.
Uma zona da Zona Oeste foi decidida por 9 votos
Na zona 245, em Campo Grande e Inhoaíba, Rick Azevedo teve 2.388 votos. Renan Ferreirinha (PSD) teve 2.379. Foram 9 votos de diferença, numa zona com 106.849 eleitores.
Não foi exceção. Em 12 das 49 zonas, o primeiro passou o segundo por menos de 200 votos. Na zona 162, que reúne locais de votação de Ramos, Penha e Brás de Pina, Fabinho da Feira (PSD) teve 3.845 votos. Sóstenes Cavalcante (PL) teve 3.739.
Na cidade inteira, Fabinho da Feira teve 5.447 votos. Foi o 101º do Rio. Sete de cada dez votos dele vieram dessa zona só.
O campeão do estado ficou em 19º na capital
O deputado federal mais votado do estado foi Dr. Luizinho (PP), com 213.904 votos. Na capital, teve 42.398: o 19º lugar. Não venceu em nenhuma zona.
Também ficaram sem zona Anielle Franco (PT), 5ª da cidade, e General Pazuello (PL), 6º. Os dois tiveram votos espalhados, sem um pedaço do mapa onde fossem os primeiros.
Em Manaus, um nome só
O mapa de deputado federal em duas capitais
Troque a cidade. Compare as cores.
Em Manaus, Sargento Salazar (PL) teve 16 de cada 100 votos da capital e ficou à frente nas 13 zonas. Em João Pessoa, Cabo Gilberto Silva (PL) teve 23 de cada 100 e venceu as 5. Em Belo Horizonte, Nikolas Ferreira (PL) teve 37 de cada 100 e as 18 zonas.
Doze das 27 capitais tiveram um nome só em todas as zonas (uma delas, Palmas, tem uma zona só). No Rio, o primeiro da cidade teve a menor fatia entre os primeiros das capitais.
Quantos nomes diferentes venceram zona, em cada capital
Cada bolinha é um candidato que ficou à frente em pelo menos uma zona.
Na urna, nomes de gente comum
O nome de urna é o texto que o eleitor lê na tela quando digita o número. O candidato escolhe esse texto.
Dos 27 primeiros colocados das capitais, 10 levam um título antes do nome: Sargento, Cabo, Coronel, Delegado, Professora, Capitão, Pastor, Dr. Entre os 19 nomes do mapa do Rio, só um: Delegado Felipe Curi (PP), que venceu na zona 9, na Barra e no Recreio, por 100 votos.
Os outros 18 usam nome e sobrenome, só o sobrenome, como Freixo, ou um diminutivo, como Dani Cunha. Um deles leva um apelido que diz de onde vem: Fabinho da Feira.
Dos sete que não se elegeram, seis ficaram como suplentes, Fabinho da Feira entre eles. Um ficou de fora. Todos estiveram à frente numa zona da capital.
Zona é bairro, não eleitor
O mapa mostra onde cada candidato teve mais votos, não quem votou nele. Uma zona do Rio tem perto de 100 mil eleitores. Em 34 das 49, o primeiro lugar levou menos de 6 de cada 100 votos. A matéria O Rio zona a zona mostra as mesmas 49 zonas na eleição para presidente e governador.
Rick Azevedo, Freixo, Fabinho da Feira, Delegado Felipe Curi. No mapa do Rio, cabem todos. Nenhum cobre a cidade.
Como fizemos
- Votos. Arquivo final do TSE votacao_candidato_munzona_2026 (todas as UFs), em cdn.tse.jus.br/estatistica/sead/odsele/votacao_candidato_munzona/, baixado em 12/10/2026. Deputado federal, 1º turno. O Rio é o município 60011 do TSE, com 49 zonas. Contamos as zonas de todas as 27 capitais do mesmo jeito; no Distrito Federal, as 19 zonas do DF.
- “Votos dados a candidatos”. São os votos nominais válidos: não entram o voto só no partido (de legenda), os brancos, os nulos e os votos de candidaturas anuladas. Na capital fluminense foram 3.113.437, para 765 candidatos; no estado, 8.467.054.
- Primeiro da zona. O candidato com mais votos nominais válidos na zona. A margem é a diferença de votos entre o primeiro e o segundo daquela zona.
- Título no nome. Contamos como título a primeira palavra do nome de urna quando ela é posto, cargo ou profissão: Sargento, Cabo, Coronel, Capitão, Delegado, Professora, Pastor, Dr.
- Mapa. O TSE não publica o contorno das zonas. Usamos os 1.450 locais de votação do Rio e os de Manaus no cadastro eleitorado_local_votacao_2026, demos a cada ponto da cidade a zona do local de votação mais perto e recortamos pelo contorno dos bairros. É um desenho aproximado. Os bairros de cada zona são os três com mais eleitores nos locais de votação dela.
- O que buscamos e não achamos. O TSE não registra por que um candidato escolheu o nome de urna, nem o que o apelido quer dizer. Não buscamos a votação por seção, que mostraria cada local de votação: ficou para outra matéria.
- Limites. Zona é um pedaço da cidade, não um eleitor: o resultado de uma zona não diz como votou cada pessoa que vota nela. Vencer uma zona não elege ninguém: a vaga de deputado federal depende dos votos no estado inteiro e do partido.
- Cálculo. O script está em eleicoes/calculos/rio-dezenove-nomes-em-49-zonas.py e o resultado em rio-dezenove-nomes-em-49-zonas.json, no acervo do letramento.org.
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