Estados e redes estaduais · O mais votado do Paraná
Paulo Melo, o mesmo nome na urna, teve 30 vezes mais votos em quatro anos e virou o deputado estadual mais votado do Paraná
Em 2022, pelo PMB, foram 6.318 votos, e ele não se elegeu. Em 2026, pelo PL, 192.409. Entre os primeiros colocados das Assembleias que já tinham disputado 2022, nenhum outro chegou a cinco vezes.
Reportagem · Estados e redes estaduaisTSE24 de outubro de 2026
Em outubro de 2022, quem digitou 35222 na urna do Paraná leu na tela: Paulo Melo. Foram 6.318 eleitores. Não bastou para uma cadeira na Assembleia.
Em outubro de 2024, o mesmo nome voltou à urna, em Curitiba, para vereador. O número já era outro, 22922. Foram 5.851 votos. Ele ficou suplente.
Em 4 de outubro de 2026, o nome e o número eram os de 2024. Desta vez, 192.409 votos. Ninguém teve mais para deputado estadual no Paraná.
Em quatro anos, o mesmo nome na urna juntou 30 vezes mais votos.
Quantas vezes cabe o Paulo Melo de 2022 no de 2026?
Toque no ano. Cada etiqueta é uma votação inteira de 2022: 6.318 votos.
O mesmo homem nas três fichas
As fichas do TSE de 2022 e de 2026 têm o mesmo CPF, o mesmo título de eleitor e a mesma data de nascimento: 7 de julho de 1992. Na eleição, ele tinha 34 anos.
Nas duas, ele escreveu a mesma ocupação: empresário. E o mesmo grau de instrução: superior completo.
O partido mudou. Em 2022, era o PMB, Partido da Mulher Brasileira. Em 2024 e em 2026, o PL.
A lista de bens mudou também. Em 2022, ele declarou R$ 10 mil em dinheiro. Em 2026, R$ 699.640, em três apartamentos, metade de um terreno em Curitiba cotas de uma empresa e de uma cooperativa de crédito.
Em 2024, ficou fora com mais votos que nove eleitos
Em Curitiba, 618 pessoas pediram voto para vereador em 2024. Paulo Melo foi o 34º mais votado. A Câmara tem 38 cadeiras.
Ainda assim, ficou suplente. Nove vereadores entraram com menos votos que ele; a eleita com menos teve 3.062. A cadeira depende também da soma do partido, não só do voto no nome.
Curitiba deu um terço; o resto do estado, dois terços
Em 2022, a capital deu a ele 2.812 votos. Eram 44 de cada 100 votos que ele teve no Paraná.
Em 2026, Curitiba deu 63.340. A conta subiu, mas a fatia caiu: 33 de cada 100.
Fora da capital, o salto foi maior. Eram 3.506 votos espalhados pelo interior. Passaram a ser 129.069, 37 vezes mais.
Só três cidades, sozinhas, deram a ele em 2026 mais do que o estado inteiro tinha dado em 2022: Curitiba, Maringá, com 10.446, e São José dos Pinhais, com 7.502.
A cidade em que ele pesou mais não foi a capital. Foi Arapoti, nos Campos Gerais: 7 de cada 100 votos para deputado estadual, 824 eleitores. Arapoti já tinha sido a cidade dele em 2022, com 2 de cada 100.
Na outra ponta, Santa Inês. Lá, ele teve 1 voto.
Onde Paulo Melo tinha voto em 2022, e onde passou a ter
Toque no ano. Depois, toque numa cidade.
votos dele em cada 1.000 votos para deputado estadual na cidade
Nenhum outro primeiro colocado cresceu tanto
Paulo Melo é um dos 26 deputados que ficaram em 1º lugar nas Assembleias com dado no arquivo do TSE. Vinte deles já tinham disputado alguma eleição em 2022.
Dezessete desses vinte já tinham sido eleitos deputados estaduais ou distritais. Dois tinham concorrido a outro cargo. Só um tinha disputado a mesma vaga e ficado de fora: Paulo Melo.
O segundo maior salto é o de Índia Armelau, do PL do Rio: 4,3 vezes, de 57.582 para 248.504. Bruno Engler, do PL de Minas, o primeiro de maior votação depois de São Paulo, ficou quase onde estava: 1,1 vez.
Quantas vezes cada 1º colocado multiplicou os votos de 2022
Toque numa barra para ver os votos.
O que a ficha não conta
A pergunta da pauta era como ele fala com o eleitor. O registro oficial de um candidato a deputado não guarda texto de campanha: não há plano de governo, que o TSE só pede a quem disputa prefeitura, governo ou Presidência.
O que ele escreveu para o TSE cabe em poucas palavras. O nome na urna, Paulo Melo, igual nas três eleições. A ocupação, empresário. E, na lista de bens, o nome de uma das empresas: Luzeiro Consultoria, Projetos Culturais e Educativos.
Ele só toma posse na Assembleia em fevereiro de 2027. Ainda não há discurso, projeto ou voto dele no plenário para ler.
Três eleições, um nome. Em 2022, ele cabia numa etiqueta. Em 2026, em trinta. O dado mostra quantas; o porquê não está na urna.
Como fizemos
- Os votos. TSE, votação por candidato e município, 1º turno: 2026, 2024 e 2022. Contamos só votos válidos. Total de votos válidos para deputado estadual no Paraná: 5.670.533 em 2022 e 5.794.554 em 2026.
- A pessoa. TSE, cadastro de candidatos de 2022, 2024 e 2026. Em 2022 e 2026, o mesmo CPF, título e nascimento. Em 2024, o CPF vem oculto no arquivo; casamos pelo nome civil completo, o partido e o número 22922, o mesmo de 2026.
- Os bens. TSE, bens declarados em 2022 e 2026, valores como ele declarou.
- Os primeiros colocados. O mais votado para deputado estadual ou distrital em cada unidade em 2026. Rondônia ficou de fora: o arquivo do TSE de 2026 para Rondônia traz só governador e senador. Para os outros 26, procuramos o CPF no cadastro de 2022, em qualquer cargo; seis não aparecem (AP, CE, GO, MA, RS, SP).
- O mapa. Malha municipal do IBGE. A cor é a fatia dele nos votos válidos para deputado estadual de cada cidade.
- O que não fizemos. Não procuramos redes sociais nem material de campanha: não são fonte oficial. O dado mostra onde e quanto ele teve de voto; não mostra por quê.
- A conta.
eleicoes/calculos/paulo-melo-de-6-mil-a-192-mil.py, com o resultado em.json.
Viu um erro? Discorda?
Aponte aqui. A redação confere na conta e nos dados oficiais e responde em público, nesta página: diz se acata ou não acata, e por quê. Erro acatado vira correção na própria matéria.
Erros e críticas dos leitores
Abrindo o balcão…