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Congresso · Quem ensina a ler

Na ficha do TSE, 40 deputados eleitos se dizem professores. Pela trajetória, são 72

Eram 44 em 2018 e 28 em 2022. Quase metade dos 40 de 2026 é do PT. E 23 eleitos que escreviam “professor” em 2018 ou 2022 agora escrevem “deputado”.

Reportagem · Congresso e partidosEleições 2026 · 1º turno6 de outubro de 2026

Na urna de São Paulo, o nome é Professora Bebel. Na ficha entregue ao TSE, no campo “ocupação”, está escrito “deputado”. Em Mato Grosso do Sul, a ficha de Professor Rinaldo Modesto diz o mesmo. Os dois se reelegeram deputados estaduais.

Toda ficha de candidatura tem esse campo. O candidato escolhe uma palavra numa lista do TSE. Em 2026, 1.572 deputados foram eleitos para a Câmara e as Assembleias. Desses, 584 escolheram “deputado”. Quarenta escolheram “professor”.

Professor é o ofício que ensina o país a ler e a escrever. Esta reportagem conta quantos professores chegaram ao Legislativo, por quais partidos, e o que a ficha esconde.

Seu palpite: dos 1.572 eleitos, quantos escreveram “professor” na ficha?

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Quarenta na ficha

Em 2026, 40 eleitos declararam ser professores: 13 na Câmara dos Deputados e 27 nas Assembleias Legislativas. São 2,5 de cada 100 cadeiras.

Em 2018, eram 44. Em 2022, caíram para 28. Agora voltaram a 40. Só na Câmara, foram 17, 9 e 13.

Dos 40, 19 se declararam professores de ensino superior. Outros 12, de ensino médio, e 9, de ensino fundamental. Os 40 declararam ter curso superior completo.

O que a ficha esconde

Quem já tem mandato costuma escrever “deputado” na ocupação. Dos 584 eleitos que fizeram isso em 2026, 568 tinham sido eleitos deputados em 2022. Por isso a ficha conta menos professores do que há.

Pelo CPF, ligamos cada eleito de 2026 às fichas que ele mesmo preencheu em 2018 e 2022. Há 23 eleitos que hoje escrevem “deputado” e antes escreviam “professor”. Outros 9 trocaram “professor” por palavras como “servidor público”, “historiador” ou “vereador”.

Somados, são 72 eleitos que se declararam professores em ao menos uma das três eleições: 23 na Câmara e 49 nas Assembleias.

As 1.572 cadeiras de 2026. Onde estão os professores?

Cada quadrado é um eleito. Use os botões para acender o que a ficha não mostra.

40 escreveram “professor” em 2026 32 tinham escrito “professor” em 2018 ou 2022 584 escreveram “deputado” (23 deles eram professores antes)

Fonte: TSE, fichas de candidatura de 2018, 2022 e 2026 (Câmara, Assembleias e Câmara Legislativa do DF), ligadas pelo CPF.

Menos candidatos, chance menor que a média

Em 2018, 1.521 professores disputaram uma vaga de deputado. Em 2026, foram 929. São 39 de cada 100 a menos.

O total de candidatos também encolheu, mas menos: 28 de cada 100. Entre todos os candidatos, os professores eram 5,9 de cada 100 em 2018 e 5,0 em 2026.

Os eleitos quase voltaram ao número de 2018. Em 2026, de cada 100 professores candidatos, 4,3 se elegeram. Na média de todos os candidatos, 8,5 de cada 100.

Nas três eleições, o professor candidato se elegeu menos que a média: 2,9 contra 6,1 em 2018; 2,3 contra 5,9 em 2022. Com a chance média de 2026, seriam 79 professores eleitos, não 40.

De cada 100 candidatos, quantos se elegeram?

Professores comparados com todos os candidatos a deputado. Toque numa barra para ver as contas.

Toque numa barra.

Candidato = candidatura que chegou à urna. Inclui deputado federal, estadual e distrital.

Quase metade, do PT

Dos 40 professores eleitos em 2026, 19 são do PT. O PT ocupa 13 de cada 100 cadeiras de deputado. Entre os professores, ocupa 48 de cada 100.

O segundo partido é o PSD, com 4. PL, União, PSDB, PSOL, PCdoB e Novo têm 2 cada. Na conta pela trajetória, o PT soma 34 dos 72.

O peso do PT não é novo. Em 2018, eram 15 de 44. Em 2022, 10 de 28.

Em que partido se elegeram os professores?

Escolha o ano. Toque num partido para ver quantas cadeiras ele tem no total.

    Sigla do partido pelo qual o candidato concorreu, não a federação. Siglas mudaram entre as eleições: o PSL de 2018 se fundiu ao DEM e virou União.

    Elas são maioria

    Entre todos os eleitos de 2026, as mulheres são 21 de cada 100. Entre os professores declarados, são 21 de 40: mais da metade.

    O título na urna

    “Professor” também pode ir para o nome de urna, a palavra que o eleitor lê na hora do voto. Em 2026, 670 candidatos a deputado puseram “Professor” ou “Professora” no nome. Elegeram-se 12. Em 2018, foram 24.

    Metade desses 12 não declarou professor na ficha de 2026. Quatro deles escreveram “deputado”: o título ficou na urna e saiu da ficha. Professor Rinaldo Modesto, do começo desta reportagem, fica fora até da conta dos 72: nenhuma ficha dele desde 2018 diz “professor”.

    A ficha mede o que o candidato escolhe dizer, não o que ele faz. Por ela, o Legislativo eleito em 2026 tem 40 professores. Somando as fichas de 2018 e 2022, tem 72.

    Como fizemos

    • Fonte. Arquivos consulta_cand do TSE de 2018, 2022 e 2026 (fichas de candidatura), baixados de cdn.tse.jus.br em 05/10/2026.
    • Quem conta. Deputados federais, estaduais e distritais. Candidato = candidatura que chegou à urna (excluímos indeferidos e renúncias). Eleito = situação “eleito por QP” ou “eleito por média”: 1.572 por ano (513 na Câmara, 1.035 nas Assembleias, 24 na Câmara Legislativa do DF). Em 2026, 18.588 candidaturas.
    • Professor. Ocupação declarada que começa com “Professor”: ensino fundamental, médio, superior, 1º e 2º graus, e instrutor de formação profissional. “Pedagogo” ficou fora: 4 eleitos em 2026.
    • Trajetória. Ligamos o mesmo CPF entre 2018, 2022 e 2026, em qualquer cargo das eleições gerais. Eleições municipais (2020 e 2024) não entram. Dos 584 eleitos que escreveram “deputado”, 583 têm ficha em 2018 ou 2022.
    • Limite. A ocupação é declarada pelo candidato. O TSE não confere se ele dá aula. Quem nunca escreveu “professor” numa ficha não entra na conta, mesmo que tenha sido professor.
    • Nome de urna. Procuramos “Professor”, “Professora”, “Prof.” ou “Profa.” em qualquer posição do nome, sem acento.
    • Contrafactual. 929 professores candidatos × 8,5 eleitos de cada 100 candidatos de 2026 = 79. É uma conta de proporção, não uma previsão.
    • Associação não é causa. O texto descreve quem se elegeu e o que declarou; não explica por que um professor teve mais ou menos votos.
    • Números podem mudar com decisões judiciais e retotalizações depois de 05/10/2026.
    • Cálculo. eleicoes/calculos/os-professores-eleitos.py e o resultado em os-professores-eleitos.json, no acervo do letramento.org.

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