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Escolas e seções · Brasil

Quatro cadeiras por mesa, e um intérprete de Libras a cada 59 mesas

Dos 2 milhões de mesários do 1º turno, 8.444 constam no TSE como intérpretes de Libras. É piso: o campo está em branco para 80% deles. Entre os que responderam, 2,1% são intérpretes; entre os eleitores, 1,0%.

Reportagem · Escolas e seçõesEleições 2026 · 1º turno22 de outubro de 2026

Na sala de aula que vira seção, quatro carteiras ficam viradas para a fila. Nelas sentam o presidente da mesa, dois mesários e o secretário. No 1º turno, em 4 de outubro, o país montou 500.829 mesas assim e convocou 2.005.557 pessoas para ocupá-las.

A mesa é a primeira a ler o eleitor. Confere o nome no caderno, olha o documento, responde a dúvida antes da urna. Para o eleitor surdo, essa conversa pode ser em Libras. A lei reconhece a Língua Brasileira de Sinais desde 2002 como “meio legal de comunicação e expressão”, com “estrutura gramatical própria”.

O TSE publicou em 21 de outubro a lista de quem foi convocado para as mesas de 2026. O arquivo tem um campo que diz se a pessoa é intérprete de Libras. A resposta foi sim para 8.444 convocados. Dá um intérprete para cada 59 mesas.

A pergunta ficou em branco para quatro de cada cinco

O número é piso, não retrato. Para 1.597.357 convocados, o campo está vazio no banco de dados do TSE. Outros 399.756 aparecem com “não”. Só 408.200 mesários têm resposta, sim ou não.

Em 2022, o mesmo campo já estava no arquivo. Ficou em branco para todos os 1.889.277 convocados do 1º turno. Esta é a primeira eleição em que a pergunta tem alguma resposta.

Em 2022, ninguém respondeu. Em 2026, respondeu 1 de cada 5

Troque o ano. A barra mostra o que o TSE registra no campo “intérprete de Libras” de cada mesário.

↑ a fatia rosa, na ponta esquerda: os intérpretes

    Cada barra soma todos os mesários convocados para o 1º turno daquele ano. Fonte: TSE, convocação de mesários 2022 e 2026.

    Com resposta, a mesa tem o dobro de intérpretes da fila

    O cadastro de eleitores tem o mesmo campo. E o mesmo branco: 79 de cada 100 eleitores aptos estão sem resposta.

    Entre os que responderam, a conta separa a mesa da fila. Na mesa, 2 de cada 100 são intérpretes de Libras. Na fila, 1 de cada 100: são 336.429 eleitores, entre 32,7 milhões com resposta.

    Onde há mais intérpretes de Libras: na mesa ou na fila?

    Conte só quem respondeu. Escolha uma carta.

    Cada carta conta só quem tem “sim” ou “não” no campo. As barras rosa usam a mesma escala.

    O dado mede a diferença, não o motivo. Uma pista está no próprio arquivo: três de cada quatro mesários intérpretes se ofereceram como voluntários (6.334 dos 8.444). No total da mesa, foram pouco mais da metade.

    Nem todos os intérpretes do cadastro dariam um por mesa

    Faça a conta ao contrário. Se cada um dos 336.429 eleitores intérpretes fosse chamado, ainda faltaria gente: são 500.829 mesas. Haveria dois intérpretes para cada três mesas.

    Os 8.444 que sentaram à mesa equivalem a 1 de cada 40 intérpretes do cadastro de eleitores.

    Em 513 zonas eleitorais, o cadastro conhecia eleitores intérpretes, e nenhum convocado da zona aparecia como intérprete. O intérprete estava na fila. Contando todas, 856 das 2.984 zonas do país ficaram sem nenhum mesário marcado com “sim”.

    A ordem dos estados muda com a régua

    Por mesa, Rondônia e Santa Catarina vêm na frente: um intérprete para cada 41 e para cada 42 mesas. Piauí e Alagoas vêm atrás: um para cada 92 e para cada 89.

    Só que cada estado respondeu numa proporção. Roraima tem resposta para 44 de cada 100 convocados. São Paulo, para 15. Entre quem respondeu, São Paulo passa à frente: 2,7 de cada 100 são intérpretes.

    Rondônia lidera numa régua, São Paulo na outra

    Escolha a régua. Toque num estado para ver a conta.

    Toque num estado.

    Mesários intérpretes de Libras por estado, 1º turno de 2026. A linha tracejada é o Brasil.

    Por isso a comparação entre estados retrata o registro tanto quanto a mesa. O estado que mais respondeu não é o que mais tem intérpretes.

    O TSE sabe que 8.444 mesários são intérpretes de Libras. Dos outros 1,6 milhão, não sabe nem o sim nem o não.

    Como fizemos

    • Mesários: TSE, convocação de mesários 2026 (convocacao_mesarios_2026.zip, gerado em 21/10/2026), arquivo nacional, 1º turno, soma do campo de convocados. “Intérprete de Libras” é o campo DS_INTERPRETE_LIBRAS: sim, não ou em branco (segundo o leiame do TSE, “a informação está em branco no banco de dados”). Mesas: os 500.829 presidentes de mesa. Quatro cadeiras: presidente, 1º e 2º mesários e 1º secretário, quatro por mesa na conta.
    • 2022: TSE, convocacao_mesarios_2022.zip (baixado em 22/10/2026), mesmo campo, em branco para os 1.889.277 convocados do 1º turno.
    • Eleitores: TSE, perfil do eleitorado 2026 (perfil_eleitorado_2026.zip, gerado em 14/07/2026), 158.745.463 eleitores aptos; o campo indica “se a eleitora ou eleitor é intérprete de libras”. Sim: 336.429. Não: 32.404.276. Em branco: 126.004.758.
    • Zonas: 2.984 zonas eleitorais nos 26 estados e no Distrito Federal, sem o exterior. Uma zona conta como “sem mesário intérprete” quando nenhum convocado dela tem “sim”; o cadastro de eleitores da mesma zona é de julho, o de mesários é de outubro.
    • Lei: Lei 10.436/2002, art. 1º e parágrafo único, conferidos no Planalto em 22/10/2026.
    • O que buscamos e não achamos: quantos eleitores são surdos. O perfil do eleitorado traz eleitores “com deficiência ou mobilidade reduzida” num número só, sem o tipo. Procuramos um arquivo do TSE por tipo de deficiência no repositório de dados abertos e o endereço não existe.
    • Limites: o campo é declarado e pode estar desatualizado. O arquivo de mesários vem por zona, não por seção: “um para cada 59 mesas” é divisão, não contagem de mesas com intérprete. Associação não é causa: o dado não diz por que a mesa tem mais intérpretes que a fila. Os nomes de município variam de grafia no arquivo, por isso a conta usa estado e zona. O cálculo está em eleicoes/calculos/os-mesarios-que-sabem-libras.py.

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    Abrindo o balcão…