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Estados · A lista lida no Senado

Amazonas, Alagoas, Bahia: nove dos dez MDBs que fecharam com Lula estão onde ele já tinha vencido

Nos dez estados que Eduardo Braga leu no Senado, Lula teve 60% dos votos válidos no 1º turno, e Flávio Bolsonaro, 34%. Nos outros 17, a conta se inverte: 38% a 53%. O décimo da lista é Rondônia, onde Flávio teve 67,5%.

Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · 2º turno16 de outubro de 2026

Às 16h40 da terça-feira, dia 13, o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), leu uma lista na tribuna: “Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Pará, Pernambuco, Maranhão, Piauí, Paraíba e Rondônia”. São os diretórios estaduais do partido que assinam o apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin no 2º turno, no domingo 25.

Nove dias antes, a urna já tinha falado nesses estados. Em nove dos dez, Lula ficou à frente de Flávio Nantes Bolsonaro (PL) no 1º turno. Em Rondônia, não.

Nos dez estados da lista, Lula teve 6 de cada 10 votos

Somados, os dez estados deram 23,1 milhões de votos a Lula e 13,1 milhões a Flávio. Lula teve 60 de cada 100 votos válidos. Flávio teve 34.

Ali, Lula abriu 10,1 milhões de votos de vantagem. Os dez estados têm 32 de cada 100 votos válidos do país. Deles saíram 43 de cada 100 votos de Lula.

A lista de Braga, com o tamanho do voto em Lula

Troque o ano. Depois, toque num estado.

Lula à frenteBolsonaro à frente
Toque num estado.
Os dez estados na ordem em que Braga os leu. Quanto maior o nome, maior a parte dos votos válidos de Lula no 1º turno. Em 2022, o adversário era Jair Messias Bolsonaro; em 2026, Flávio.

A lista de 2026 já era a de 2022

Em 2022, Lula também venceu nove desses dez estados no 1º turno. Perdeu o mesmo: Rondônia. Somados, os dez lhe deram 63 de cada 100 votos válidos.

Em 2026, ele teve menos que em 2022 em todos os dez, 3 pontos a menos no conjunto. Nos outros 17, caiu um pouco mais: de 42 para 38 de cada 100. A queda veio dos dois lados da lista.

Nos outros 17 estados, a conta se inverte

Fora da lista, Flávio teve 53 de cada 100 votos válidos. Lula teve 38. Flávio abriu 12,3 milhões de votos.

É mais do que Lula ganhou nos dez estados de Braga. Por isso Flávio terminou o 1º turno à frente no país: 47,0% contra 45,2% dos votos válidos, com o exterior.

Três estados deram a vitória a Lula e não estão na lista: Rio Grande do Norte, Sergipe e Amapá. No Amapá, a diferença foi de 225 votos. A nota lida na tribuna não fala desses diretórios, e esta reportagem também não.

Os dez da lista e os outros 17

Toque numa sigla para ver o estado.

Toque numa sigla.
Votos válidos para presidente no 1º turno de 2026, somados em cada grupo. A cor da sigla diz quem ficou à frente no estado. O exterior não entra em nenhum dos dois grupos.

Rondônia, a exceção

Em Rondônia, Flávio teve 67,5% dos votos válidos, e Lula, 25,9%. Só Roraima deu a Flávio uma parte maior.

O governador eleito no 1º turno, Marcos Rogério, é do PL, com 56,9%. As duas vagas de senador também foram para o PL. O candidato do MDB ao governo, Pedro Abib, teve 0,7%.

O MDB dos dez estados ganhou no Senado, não nos governos

Nesses dez estados, o MDB elegeu quatro senadores: Eduardo Braga (AM), Helder Barbalho (PA), Marcelo Castro (PI) e Veneziano Vital do Rêgo (PB). Renan Calheiros (AL) e Roseana Sarney (MA) disputaram e não se elegeram.

Para governador, o partido não elegeu ninguém. Teve candidato em cinco dos dez estados e perdeu os cinco no 1º turno. Em Alagoas e no Pará, passou de 46%.

O MDB na urna dos dez estados

EstadoCandidato do MDBVotos válidos
Candidatos do MDB a governador e a senador no 1º turno de 2026 nos dez estados da lista. Em verde, os eleitos. Amazonas, Bahia, Ceará, Pernambuco e Piauí não tiveram candidato do MDB ao governo.

“Ele faz o L”

Às 16h56, logo depois de Braga, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) trouxe outra notícia. Flávio tinha anunciado apoio à proposta que acaba com a escala 6x1. “Daqui para o domingo 25, ele faz o L”, disse Randolfe. As notas taquigráficas registram: “(Risos.)”

O L é a letra que o eleitor de Lula faz com a mão. Nos dez estados de Braga, 6 de cada 10 votos válidos já tinham ido para ela no dia 4. Nos outros 17, menos de 4.

A lista lida no Senado tinha dez nomes. Em nove, a nota seguiu o voto que já existia. Em um, Rondônia, foi contra ele.

Como fizemos

  • A lista. Senado Federal, notas taquigráficas da sessão deliberativa de 13/10/2026 (sessão 591263), blocos das 16h36, 16h40 e 16h56: senado.leg.br/…/notas/s/591263. A lista é a que Braga leu. Não buscamos o texto da nota em canal do partido.
  • Presidente, 2026. TSE, totalização do 1º turno de 04/10/2026 por estado, 100% das seções (resultados.tse.jus.br). Votos válidos = votos dados a candidatos; brancos e nulos ficam fora. Nomes civis do cadastro de candidatos do TSE (consulta_cand_2026).
  • Presidente, 2022. TSE, votação por seção do 1º turno (votacao_secao_2022_BR), somada por estado, sem brancos e nulos.
  • Governador e senador. TSE, votação por candidato, município e zona (votacao_candidato_munzona_2026), só votos com destino “Válido”, e a situação de cada candidato no 1º turno.
  • Recorte e n. 27 unidades da federação: os 10 estados da lista (38,3 milhões de votos válidos para presidente) e os outros 17, com o Distrito Federal (80,7 milhões). O exterior (157 mil votos para Lula e 144 mil para Flávio) entra só no total do país.
  • Limites. A conta descreve onde estava o voto antes da nota; não mede efeito da nota sobre o 2º turno. Comparar 2022 e 2026 é comparar adversários diferentes: Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Não tratamos da posição dos diretórios fora da lista, que não encontramos em nota oficial do partido. Não cruzamos esta conta com dado de leitura das redes estaduais.
  • Conta. eleicoes/calculos/os-dez-mdbs-que-fecharam-com-lula.py e o resultado em .json, com cada número do texto.

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