Congresso e partidos · O socorro a bancos na Câmara
“Eu aguardarei o quórum subir”, disse Motta. O projeto do socorro a bancos parou a cinco votos
Lei complementar precisa de 257 votos, e o texto do relator teve 252. Dos 73 deputados com presença na sessão que não votaram, 56 tinham votado o projeto do MEI pouco mais de uma hora antes.
Reportagem · Congresso e partidosCâmara · TSE16 de outubro de 2026
Às 20h36 de quarta-feira, 14 de outubro, o presidente da Câmara fez a conta em voz alta. Hugo Motta (Republicanos-PB), reeleito em 4 de outubro com 124.339 votos, o 5º mais votado da Paraíba, conduzia a votação de um projeto em que ganhar não bastava.
Hugo Motta, 20h36“Temos 501 presentes na sessão, e apenas 367 votaram. Como é um projeto de lei complementar, eu aguardarei o quórum subir mais um pouco para que eu possa encerrar a votação.”
O projeto era o PLP 281, de 2019, enviado pelo Poder Executivo. Ele muda as regras para o Banco Central socorrer ou liquidar bancos em crise. Lei complementar só passa com a maioria absoluta da Câmara: 257 votos “sim” entre 513 deputados, diz a Constituição no artigo 69.
O quórum subiu. Às 20h56, o painel fechou com 428 votos: 252 “sim” e 176 “não”. O texto do relator, Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), reeleito com 58.739 votos, 50º no Rio, foi rejeitado. Faltaram cinco.
A lista de presença tinha 502 nomes; o painel, 428 votos
A presença da sessão de 14 de outubro, registrada pela Câmara, tem 502 deputados. Onze não marcaram presença. Dos 502, 428 votaram no texto do relator. Hugo Motta aparece como “Artigo 17”: pelo Regimento, quem preside só vota para desempatar. Os outros 73 não votaram.
A lista não diz a que horas cada um saiu. E a sessão era semipresencial: pelo Ato da Mesa 123, de 2020, o deputado pode votar a distância. Mas há um rastro. A votação do projeto do MEI fechou às 19h42, com 461 votos a 4. Dos 73 que não votaram no socorro a bancos, 56 tinham votado no MEI uma hora e catorze minutos antes.
Os 73 que estavam na sessão e não votaram
Toque num deputado de partido que orientou “sim”. O contador soma como se ele tivesse seguido a orientação do partido.
Toque num ponto para ver quem é.
Cada ponto é um deputado com presença registrada na sessão e sem voto no texto do relator. A cor é a orientação do partido. O jogo é uma conta, não uma previsão: ninguém sabe como votaria quem não votou.
Sessenta dos 73 eram de partidos que pediram “sim”
Um bloco de partidos orientou “sim”: União, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e a federação PSDB-Cidadania. O PL e o Novo também. Dos 73 sem voto, 60 eram desses partidos.
O PL foi o partido com mais deputados sem voto: 16. Os outros votaram quase todos com a orientação, 77 “sim” e 3 “não”. No União, dentro do bloco do “sim”, a conta virou: 9 “sim”, 30 “não” e 11 presentes sem voto.
O governo orientou “não”, como a federação PT-PCdoB-PV, a federação PSOL-Rede, o PDT e a Missão.
Cada partido no painel das 20h56
Toque numa barra para ver a conta do partido.
Toque num partido.
Só os deputados com presença na sessão. A orientação ao lado do nome é a do partido ou a do bloco a que ele pertence. O presidente da sessão está fora da conta.
O aviso das 16h24
Quatro horas e meia antes do painel, Mauro Benevides Filho (União-CE), suplente em 2027, com 90.150 votos, 24º no Ceará, subiu à tribuna e contou como soube da votação.
Mauro Benevides Filho, 16h24“me tomou, de uma forma assustada, a colocação na pauta do PLP 281, de 2019, que não foi discutido na reunião de Líderes […] e eu sou acordado hoje, pela Folha de S. Paulo, me perguntando se eu tinha mudado de posição em relação ao PLP 281.”
Ele votou “não”. Na reunião de Líderes, os chefes das bancadas combinam o que entra na pauta.
Quem volta à Câmara em 2027
Duas semanas antes, a urna de 4 de outubro já tinha dito quem volta. Entre os que votaram, seis de cada dez voltam em fevereiro: 153 dos 252 do “sim” e 106 dos 176 do “não”. Entre os 73 sem voto, 36 se reelegeram. É menos da metade. Outros 22 ficaram como suplentes.
Dois dos 73 disputam o 2º turno, em 25 de outubro. Alfredo Gaspar (PL-AL) é o candidato a vice-presidente na chapa do PL. Vicentinho Júnior (PSDB-TO) disputa o governo do Tocantins; teve 43,94% dos votos válidos no 1º turno. Os dois votaram “sim” ao MEI naquela noite. No socorro a bancos, não votaram.
De cada 100, quantos voltam em 2027
Escolha um grupo.
Situação de cada deputado na urna de 4 de outubro de 2026, pelo TSE: reeleito, suplente, não reeleito, eleito para outro cargo, no 2º turno ou fora da disputa. Cada quadrado é um deputado de cada 100 do grupo.
A conta não diz por que cada um deixou de votar, nem liga o voto ao resultado da urna. Mostra quem estava na lista, quem apareceu no painel e o que a urna decidiu duas semanas antes.
O projeto ficou na pauta
O que caiu foi o texto do relator. A Câmara registrou a frase seguinte assim: “Adiada a continuação da votação em face do encerramento da Ordem do Dia.” Desde então, o PLP 281 está “aguardando deliberação”.
Na quinta-feira, 15 de outubro, a sessão durou 32 minutos. O plenário aprovou a medida provisória do Enamed, o exame que avalia os cursos de Medicina, e não voltou ao PLP 281.
No Aparte, o argumento de cada lado, com o mesmo nome na boca dos dois: os dois lados do projeto dos bancos citaram Vorcaro.
Faltaram cinco votos. Na lista de presença, sobravam 73 nomes.
Como fizemos
- O voto a voto. Dados abertos da Câmara, votação 2236186-60 (evento 83057, registro às 20h56 de 14/10/2026): 429 registros, 252 “Sim”, 176 “Não” e 1 “Artigo 17” (o presidente). As orientações de partidos e blocos vêm da mesma votação; a composição do bloco que orientou “sim” vem de /blocos/589/partidos.
- A presença. Presença no evento 83057, baixada em 16/10/2026: 502 deputados. Ausentes são os 513 menos esses 502. Os 73 “sem voto” têm presença e não aparecem na lista de votos.
- O MEI. Votação 2635476-36, registro às 19h42 (461 a 4), da mesma sessão.
- A urna de 2026. TSE, cadastro de candidaturas de 2026 gerado em 8/10/2026 (513 deputados federais eleitos), 1º turno de 4/10. Cada deputado foi casado pelo CPF que a Câmara publica em dados abertos dos deputados, nunca pelo nome de urna. Não usamos o arquivo que o TSE regerou em 15/10/2026: nele, 505 deputados federais aparecem como eleitos e 127 situações a mais estão sem valor.
- As falas. Notas taquigráficas da Câmara, sessão de 14/10/2026 (Escriba, evento 83057). A hora é a do bloco de quatro minutos; o segundo exato está no vídeo da sessão.
- O projeto. Ficha do PLP 281/2019 e a tramitação: autor, rejeição da subemenda substitutiva, votação adiada, situação “Aguardando Deliberação” em 16/10/2026. A regra dos 257 é a do artigo 69 da Constituição; a do presidente que só desempata, o artigo 17 do Regimento Interno da Câmara.
- O que procuramos e não achamos. A hora em que cada deputado deixou a sessão. A lista de presença não traz esse campo.
- Limites. Presença registrada não quer dizer presença no plenário às 20h56. O contador da primeira figura soma uma hipótese declarada, não um voto. A volta em 2027 é o resultado da urna de 4 de outubro, não efeito desta votação.
- Cálculo.
eleicoes/calculos/os-cinco-votos-que-faltaram-ao-plp-281.py(resultado emos-cinco-votos-que-faltaram-ao-plp-281.json).
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