Estados · A urna lida duas vezes
Duas telas de senador, menos voto em ninguém: 2026 ficou abaixo até de 2022, que tinha uma só
Brancos e nulos foram 17% dos votos para o Senado no 1º turno, contra 27% em 2018, a última eleição com duas vagas. Em 2022, com uma vaga, tinham sido 19%. A parte caiu em todos os estados.
Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · 1º turno17 de outubro de 2026
No domingo 4 de outubro, depois dos deputados, a urna mostrou uma palavra em cima da tela: “1º senador”. O eleitor digitou, viu o nome e a foto, confirmou. A tela seguinte trazia a mesma lista de candidatos e outra palavra: “2º senador”.
Foram 124,8 milhões de eleitores à urna. Eram duas vagas por estado, e cada eleitor votou duas vezes. Somadas as duas telas, o Senado recebeu 249,5 milhões de votos. Desses, 42,1 milhões não escolheram ninguém: 18,7 milhões em branco e 23,4 milhões nulos.
São 17 de cada 100 votos. Em 2018, a última eleição com duas vagas, tinham sido 27.
Em cinco eleições, nenhuma teve tão pouco voto em ninguém
O Senado se renova em turnos alternados. Num ano, uma vaga por estado; quatro anos depois, duas. Desde 2010 foram cinco eleições: três com duas telas, duas com uma.
Em 2010, com duas telas, brancos e nulos foram 22 de cada 100 votos para senador. Em 2014, com uma, 22. Em 2018 subiram para 27. Em 2022, de novo com uma tela, desceram a 19.
Em 2026 desceram a 17. Com duas telas, o eleitor deixou menos votos sem nome do que deixara em 2022 com uma só.
Brancos e nulos para senador, de cada 100 votos
Toque num ano para separar branco e nulo.
Na mesma urna, o senador fica mais vezes sem nome
O mesmo eleitor, no mesmo dia, também votou para governador e para presidente. Para presidente, deixou em branco ou anulou 5 de cada 100 votos. Para governador, 10. Para senador, 17: três vezes e meia o do presidente.
A distância é antiga. Nas cinco eleições desde 2010, o voto para senador teve de 7 a 10 pontos a mais de branco e nulo que o de governador. Entre 2018 e 2026, os dois andaram juntos para baixo: governador, de 19 para 10 de cada 100; senador, de 27 para 17.
Cem votos de 2026, cargo a cargo
Troque o cargo e conte os quadrados que não escolheram ninguém.
O que encolheu foi o nulo
Branco e nulo são gestos diferentes na urna. O branco é uma tecla com a palavra escrita. O nulo é um número que não leva a nome nenhum, e a tela avisa: “número errado”, “voto nulo”.
Para senador, os nulos foram 18 de cada 100 votos em 2018 e 9 em 2026: caíram quase pela metade. Os brancos foram de 9 para 7,5. Dos 10 pontos que o Senado perdeu em brancos e nulos, 8,6 saíram do nulo.
No Amapá, a mudança foi quase toda no nulo: 28 de cada 100 votos para senador em 2018, 5 em 2026. Em Pernambuco, o nulo foi de 27 para 12. Em São Paulo, de 22 para 10. Nos três, o branco caiu bem menos.
Pernambuco segue no alto; o Amapá foi para o fim da fila
Pernambuco teve a maior parte de brancos e nulos para senador nas duas eleições: 38 de cada 100 votos em 2018, 21 em 2026. Bahia e Paraíba vêm logo atrás, com 20.
São Paulo era o 2º em 2018, com 32. Em 2026 ficou com 18, o 8º da lista.
O Amapá fez o caminho mais longo. Era o 3º em 2018, com 32 de cada 100. Em 2026 ficou em último, com 7. Rondônia saiu de 26 para 10.
A parte caiu nos 27 estados. No Acre, quase nada: de 10,4 para 10,3.
De 2018 para 2026, estado a estado
Toque numa sigla para acender o estado.
O arquivo soma as duas telas
O TSE publica o total de cada estado com as duas telas juntas. O arquivo não diz se o branco caiu no 1º senador ou no 2º. Também não diz por que caiu, e esta reportagem não dá causa à queda.
O que ele mede é o tamanho. Em 2018, 27 de cada 100 votos para o Senado não escolheram ninguém. Oito anos depois, com as mesmas duas telas, foram 17.
Como fizemos
- Fonte. TSE, detalhe da votação por município e zona, arquivo de todo o país (
_BRASIL), 1º turno, cargos Presidente, Governador e Senador: 2026 (baixado em 10/10/2026), 2018, 2022, 2014 e 2010 (baixados em 17/10/2026). - Conta. Brancos mais nulos, divididos pelo total de votos do cargo. Para senador em ano de duas vagas, o total é duas vezes o número de eleitores que votaram: 249.536.970 votos em 2026 (18.678.856 brancos e 23.429.766 nulos) e 234.223.144 em 2018 (20.922.130 brancos e 42.090.147 nulos). O nulo inclui o nulo técnico, voto em candidato que a Justiça Eleitoral anulou depois: 203.811 votos para senador em 2026, 0,1 de cada 100.
- Recorte e n. 27 unidades da federação, eleição ordinária. Em 2018, o arquivo traz também a eleição extraordinária de uma vaga de senador em Mato Grosso, no mesmo dia; ela ficou fora da conta. Com ela, o total de 2018 daria 26,8 de cada 100.
- O que não está no dado. O arquivo soma as duas vagas; não separa o voto dado na tela do 1º senador do dado na do 2º. Esse detalhe estaria no registro digital do voto, seção a seção, que não abrimos no prazo desta reportagem. Não cruzamos a conta com dado de leitura das redes estaduais.
- Limites. A conta descreve quanto do voto ficou sem nome em cada eleição. Não mede por que a parte caiu: candidatos, campanhas e eleitorado mudaram entre 2018 e 2026.
- Conta salva.
eleicoes/calculos/o-segundo-voto-para-o-senado.pye o resultado em.json, com cada número do texto.
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