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Dos 6 estados com 2º turno, só o Espírito Santo tem escola estadual que lê acima da média do país

O Rio Grande do Norte é o 23º de 27 em leitura no fim do ensino médio. Dentro de cada estado, a nota da escola não separa os finalistas: o que separa é a região.

ReportagemEstados e redes estaduais7 de outubro de 2026

Em Brasília, faltaram 168 votos. Celina Leão (PP) terminou o 1º turno com 49,99 de cada 100 votos válidos, um fio abaixo da metade. Por isso o Distrito Federal volta às urnas, como outros cinco estados: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins [TSE1].

Quem vencer vai governar, por quatro anos, a rede estadual de ensino. É a ela que a lei dá a tarefa de oferecer o ensino médio. E a leitura dessas escolas está abaixo da média do país em 5 dos 6 estados.

Só o Espírito Santo passa da média

O Saeb, a prova nacional do Inep, mede a leitura dos alunos no fim do ensino médio. Na rede estadual do Brasil, a nota média de Língua Portuguesa em 2025 foi 273,3 [IDEB2].

O Espírito Santo tirou 283,5, a 4ª melhor nota entre as 27 redes estaduais. O Acre ficou praticamente na média, com 272,9. Os outros quatro ficaram abaixo. O Rio Grande do Norte tirou 260,7: é o 23º de 27, a menor nota entre os 6.

A nota de hoje é só metade da história. A outra metade é o caminho desde 2019, antes da pandemia. Antes de seguir, um palpite.

Palpite: em quantos dos 6 estados a leitura da escola estadual caiu desde 2019?

Os pontos cheios são a nota de 2025. Toque no seu chute para ver de onde cada rede veio.

Nota média de Língua Portuguesa no Saeb, 3ª série do ensino médio, rede estadual: ● 2025, ○ 2019. Entre parênteses, a posição em 2025 entre as 27 redes estaduais. Linha tracejada: Brasil, rede estadual, 2025. Fonte: Inep.

Em 3 dos 6 estados, a leitura da rede estadual caiu entre 2019 e 2025. No Brasil, subiu 1,3 ponto. A maior queda foi a do Distrito Federal: tinha 279,1 e perdeu 10,9 pontos em seis anos. Amazonas, Rio Grande do Norte e Acre subiram entre 4,7 e 5,5 pontos.

Quem lidera onde

Em todos os seis, o primeiro colocado ganhou na maior parte do território. No Amazonas, Omar Aziz (PSD) ficou à frente em 59 das 62 cidades. No Distrito Federal, que não tem municípios, Celina Leão ficou à frente em 17 das 19 zonas eleitorais.

A disputa mais apertada é a do Rio Grande do Norte. Allyson (União) teve 36,9 de cada 100 votos válidos; Cadu de Lula (PT), 36,2. Allyson ganhou em 85 cidades; Cadu, em 82. Na região de Caicó, no Seridó, Cadu ficou com 58,9 de cada 100 votos dados aos dois.

No Amazonas, o mapa se divide entre a capital e o interior. Na região de Manaus, Omar Aziz teve 54,4 de cada 100 votos dados aos dois finalistas. Na região de Tefé, teve 84,7.

Onde cada finalista ficou à frente no 1º turno

Escolha o estado. Toque numa cidade para ver os números.

Toque numa cidade.

Cor mais forte = vantagem maior. Barras: de cada 100 votos dados aos dois finalistas, quantos foram para cada um, por região intermediária do IBGE. Fonte: TSE, votos válidos; IBGE.

A leitura não separa os dois lados

O Inep publica a nota de leitura da rede estadual cidade por cidade. Em cada estado, dividimos as cidades com nota em duas metades: as que leem melhor e as que leem pior. Depois, somamos os votos dos dois finalistas em cada metade.

Não há um padrão. No Acre, o primeiro colocado foi um pouco melhor nas cidades que leem melhor. No Amazonas, no Espírito Santo, no Rio Grande do Norte e no Tocantins, foi o contrário.

A maior diferença é a do Amazonas. Nas 31 cidades que leem pior, Omar Aziz teve 80,5 de cada 100 votos dados aos dois. Nas 31 que leem melhor, teve 57,5. Leitura e região andam juntas ali: pesando cada cidade pelos seus votos, a escola estadual tira 238,3 na região de Tefé e 261,0 na de Manaus. Separar uma coisa da outra pede mais do que este dado.

Nos outros estados, a distância entre as metades fica entre 1,2 e 5,1 pontos. Em 4 dos 5 estados com municípios, a distância entre as regiões do estado é maior que a distância entre as metades de leitura.

Nas cidades onde a escola estadual lê melhor, o 1º colocado vai melhor?

De cada 100 votos dados aos dois finalistas, quantos foram do 1º colocado: na metade das cidades que lê melhor (●) e na que lê pior (○).

Metades feitas dentro de cada estado pela nota de Língua Portuguesa da rede estadual (Saeb 2025, ensino médio). O Distrito Federal tem uma nota só e fica de fora. Fontes: TSE e Inep.

O dado diz onde cada finalista teve voto e como lê a escola estadual de cada lugar. Não diz que a escola mudou o voto, nem que o voto vai mudar a escola. Diz o tamanho da tarefa: em 5 dos 6 estados, quem ganhar o 2º turno vai assumir uma rede que lê abaixo da média do Brasil.

Como fizemos

Eleição. Voto para governador no 1º turno de 4/10/2026, por município e zona eleitoral, do arquivo final do TSE (votacao_candidato_munzona_2026). Só entram votos válidos: votos de candidaturas anuladas sub judice ficam fora. "De cada 100 votos dados aos dois" é a parte de um finalista na soma dos votos dos dois, sem os demais candidatos.

Regiões. Regiões geográficas intermediárias do IBGE (2017), lidas na API de localidades do IBGE em 7/10/2026. O Distrito Federal não tem municípios; ali contamos as 19 zonas eleitorais.

Leitura. Nota média de Língua Portuguesa do Saeb na 3ª série do ensino médio, rede estadual, 2025 e 2019, nas tabelas do Ideb 2025 do Inep por município, por UF e do Brasil. Têm nota 460 dos 468 municípios dos 5 estados com municípios. As metades são feitas dentro de cada estado (no Acre, 10 e 10 cidades; em Tocantins, 67 e 67).

Limites. Associação não é causa. Voto para governador depende de alianças, economia, segurança e da eleição para presidente. A nota é da escola estadual da cidade, não de quem vota: a maioria dos eleitores já saiu da escola. Cidade pequena e cidade grande pesam igual na divisão em metades; os votos de cada metade são somados. A nota de uma região é a média das suas cidades, pesada pelos votos válidos de cada uma; sem o peso, a região de Tefé tira 237,6 e a de Manaus, 248,7. Cálculo reproduzível em agentes/enki/letramento_site/eleicoes/calculos/o-segundo-turno-em-sete-estados.py.

Fontes primárias

  1. 1TSETribunal Superior Eleitoral, Portal de Dados Abertos, votação nominal por município e zona, Eleições Gerais 2026, 1º turno (votacao_candidato_munzona_2026)Abrir o documento
  2. 2IDEBInep, divulgação do Ideb 2025: ensino médio por município, por UF e Brasil; nota do Saeb em Língua Portuguesa por redeAbrir o documento
  3. 3IBGEIBGE, API de localidades: municípios, regiões imediatas e intermediárias; malha municipalAbrir o documento

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