Congresso e partidos · As contas da campanha
O santinho ainda leva mais dinheiro que o post impulsionado, mas já perdeu na conta de um em cada cinco deputados eleitos
Nas contas de 2026 entregues até agora ao TSE, os candidatos a deputado federal contrataram R$ 469 milhões em impressos e R$ 180 milhões em impulsionamento na internet. Entre os eleitos, a tela passou o papel em 110 de 504. Em 2022, em 48 de 513.
Reportagem · Congresso e partidosTSE · prestação de contas18 de outubro de 2026
O santinho cabe na palma da mão e carrega duas coisas: um rosto e um número. É um texto para ler e levar no bolso até a urna, onde o eleitor digita o que está escrito nele. No dia da eleição, ele fica no chão perto da seção. Na mesma fila, no celular de quem espera a vez, passa o post pago.
As contas que os candidatos entregaram ao TSE dizem quanto cada um desses dois objetos custou. Em 2026, os candidatos a deputado federal contrataram R$ 469,1 milhões em impressos: santinhos, adesivos, folhetos, bandeiras. E R$ 180,1 milhões para impulsionar conteúdo na internet.
O papel ainda leva mais. Para cada real gasto em impresso, foram 38 centavos em impulsionamento. Em 2022, eram 23 centavos.
A tela ganhou terreno entre os eleitos
Na conta de cada eleito, a disputa já mudou de lado em muitos casos. Em 2026, o impulsionamento passou os impressos em 110 dos 504 deputados federais eleitos que entregaram contas. É um em cada cinco.
Em 2022, foram 48 de 513, um em cada dez. O número de eleitos em que a tela venceu o papel mais que dobrou em quatro anos.
Quanto do gasto foi para o papel e quanto para a tela?
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Papel continua a ser regra. Só 11 eleitos de 2026 não registraram nenhum impresso. Outros 50 não registraram nenhum impulsionamento.
O santinho, com esse nome, aparece em 13.301 linhas das contas de 2026, somando R$ 88,2 milhões. É a palavra escrita pelo próprio candidato ao descrever a compra. Em 2022, eram R$ 159,1 milhões.
Os dois mais votados escolheram objetos diferentes
Os dois deputados mais votados do país tiveram quase o mesmo número de votos e fizeram a escolha oposta. Nikolas Ferreira (PL-MG) teve 3.119.318 votos. Contratou R$ 530.595 em impressos e R$ 123.000 em impulsionamento: o papel levou mais de quatro vezes o que levou a tela.
Lucas Pavanato (PL-SP) teve 3.038.438 votos. Contratou R$ 1.352.000 em impulsionamento e R$ 294.603 em impressos. A tela levou mais de quatro vezes o papel.
Somadas todas as despesas, cada voto de Nikolas custou R$ 0,38 na conta entregue. O de Pavanato, R$ 0,88. O dado não diz qual escolha rendeu mais voto: diz onde cada um pôs o dinheiro.
Papel ou tela: compare dois eleitos
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Nikolas mudou de proporção desde 2022. Naquele ano, com 1.492.047 votos, contratou R$ 69.685 em impressos e R$ 30.000 em impulsionamento. Em 2026, os dois gastos cresceram, e o papel cresceu mais.
No Ceará, André Fernandes (PL), quarto deputado mais votado do país, contratou R$ 625.000 em impulsionamento, quase dez vezes os R$ 62.780 em impressos.
O que a conta ainda não fechou
As contas de 2026 ainda não são as finais. Dos 504 eleitos, só 7 já tinham entregue a prestação final quando o TSE gerou o arquivo, em 18 de outubro. O prazo vai até 3 de novembro. Os valores de 2026 vão crescer; a comparação com 2022 é de proporção, não de total.
O santinho continua no chão da seção. Na conta de um em cada cinco eleitos, já custou menos que o post pago.
Como fizemos
- As contas. TSE, prestação de contas eleitorais dos candidatos de 2022 e 2026 (2026, 2022), arquivo de despesas contratadas, baixados em 18/10/2026. Só candidatos a deputado federal. Papel é a origem “Publicidade por materiais impressos”; tela, “Despesa com Impulsionamento de Conteúdos”.
- As linhas repetidas. Uma nota fiscal com vários itens aparece em várias linhas com o mesmo número de despesa: um folder de R$ 20.900 e outro de R$ 9.850, por exemplo. Somamos todos os itens. Tiramos só a linha idêntica em todos os campos. Se tirássemos toda linha com número de despesa repetido, os impressos de 2026 cairiam para R$ 229,8 milhões, porque itens diferentes da mesma nota seriam apagados. Sem tirar nada, seriam R$ 478,5 milhões.
- Os eleitos e os votos. TSE, votação por candidato do 1º turno, arquivo final. 505 candidatos aparecem como eleitos no arquivo de 2026 (a Câmara tem 513 cadeiras); 504 deles têm despesas declaradas. Em 2022, os 513 eleitos têm.
- “Santinho”. Linhas de impressos cuja descrição, escrita pelo candidato, contém a palavra. Quem escreveu “panfleto” ou “colinha” não entra; o número é um piso.
- O que procuramos e não achamos. Não há no arquivo quantos santinhos foram impressos nem quantas pessoas viram cada vídeo: há só o valor contratado. Não incluímos 2018, a primeira eleição com impulsionamento pago permitido.
- Limites. Em 2026, a maioria das contas é parcial (prazo da final: 3/11/2026). Valor contratado não é valor pago. Gasto do partido em nome do candidato que não passou pela conta dele fica de fora. O dado mostra onde foi o dinheiro, não o que deu voto.
- Cálculo.
eleicoes/calculos/o-santinho-e-o-impulsionamento.py(resultado emo-santinho-e-o-impulsionamento.json).
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