Congresso e partidos · Homenagens da Câmara
Cinco pedidos para Pelé, um para Carolina Maria de Jesus: a fila de nomes para o livro de aço da Pátria
De 2023 a 2026, a Câmara recebeu 129 projetos para gravar 117 nomes no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Sete viraram lei. Um em cada cinco nomes é de mulher; 18 são de escritores, poetas ou pensadores.
Cinco projetos para Pelé. Três para Ayrton Senna. Três para Alysson Paolinelli, ex-ministro da Agricultura. Dois para Gonçalves Dias, o poeta. Um para Carolina Maria de Jesus, escritora e catadora.
Todos pedem a mesma coisa: um nome gravado no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, de páginas de aço, guardado no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. A regra está na Lei 11.597, de 2007: cada nome entra por uma lei própria.
De 2023 a 2026, a Câmara recebeu 21.528 projetos de lei. Em 130 deles aparece o livro. Em 129, há um nome ou um grupo para gravar: são 117 homenageados diferentes. Sete desses projetos viraram lei.
O 130º projeto não traz nome. Ele permite dividir o livro em volumes, seções ou tomos. Também virou lei.
Quem lutou por direitos é o maior grupo da fila
Separamos os 117 nomes pelo motivo que a ementa dá. O maior grupo é o de quem lutou por liberdade e direitos: 29 nomes, de Zacimba Gaba a Betinho. Depois vêm escritores, poetas e pensadores: 18.
Governantes, juízes e servidores somam 15. Militares e batalhas, 11. Esporte, 7, mas é dele o nome mais pedido.
A página dos 117 nomes pedidos
Quanto maior o nome, mais projetos pediram por ele. Em dourado, os que viraram lei. Escolha um grupo. Toque num nome para ver o projeto.
Cada nome está num só grupo, pelo motivo da ementa. Grupos de pessoas, como as heroínas de Tejucupapo, contam como um nome.
Um em cada cinco nomes é de mulher
Dos 117 homenageados, 25 são mulheres e 82 são homens. Os outros 10 são grupos, como os pracinhas da FEB e as heroínas de Tejucupapo.
Entre as sete leis, uma tem nome de mulher: Hipólita Jacinta Teixeira de Melo. As outras são de Ayrton Senna, João do Pulo, Dom Hélder Câmara, Frei Orlando, Eduardo Campos e Pedro Jorge de Melo e Silva.
A palavra "professora" aparece em um pedido: o de Heley de Abreu Silva Batista. O projeto queria também mudar a lei para dispensar o tempo exigido desde a morte. Foi arquivado. Anísio Teixeira, educador, tem um projeto, que espera relator.
Escritores na fila, nenhum na lei
Os 18 nomes da palavra vão de Maria Firmina dos Reis, romancista do Maranhão no século 19, a Ariano Suassuna e Graciliano Ramos, pedidos em 2026. Nenhum desses projetos virou lei até 10 de outubro.
No mesmo período, os projetos sobre ler e escrever foram metade dos pedidos de homenagem: 64. Falam de alfabetização, biblioteca, leitura e livro didático. Um virou lei: o que cria o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.
Quem assina os pedidos
112 dos 129 projetos têm um deputado como primeiro autor. São 68 deputados. Os outros vieram prontos do Senado (16) ou de uma comissão (1).
Os deputados do PT assinam 28 projetos; os do PSOL, 16; os do PDT, 11; os do PL, 9. Quem mais assinou foi Prof. Paulo Fernando (Republicanos-DF), com seis.
39 dos 68 autores voltam ao Congresso em 2027
Na eleição de 4 de outubro, 36 desses deputados se reelegeram para a Câmara. Outros 3 foram eleitos senadores: José Medeiros (MT), Evair Vieira de Melo (ES) e Luizianne Lins (CE).
27 não voltam ao Congresso. Entre eles há suplentes, derrotados e quem mudou de cargo: Zucco foi eleito governador do Rio Grande do Sul. Dois, Prof. Paulo Fernando e Odair Cunha, não aparecem na lista de candidatos de 2026 do TSE.
Os 68 deputados que pediram um nome para o livro
Cada quadrado é um deputado. Aperte o botão para ver o que a urna de 2026 fez com eles. Toque num quadrado para ver o nome.
- Eleito deputado (36)
- Eleito senador (3)
- Não volta ao Congresso (27)
- Não foi candidato (2)
Ordem: quem assinou mais projetos primeiro. Partido é o do deputado ao assinar.
Pelé, Senna, Paolinelli. Gonçalves Dias duas vezes. Carolina uma. Dos 117 nomes, 110 ainda esperam a lei que os grava no aço.
Como fizemos
- Projetos. Arquivos de proposições da Câmara dos Deputados, 2023 a 2026 (proposicoes-ano.csv), baixados em 10/10/2026. Só projetos de lei (PL): 21.528.
- Busca. Procuramos na ementa "Livro dos Heróis", "Heróis da Pátria" e "Panteão da Pátria", com as grafias variantes ("Livro de Heróis", "Livros dos Heróis"). Achamos 130. Lemos as 130 ementas à mão: 129 pedem nomes, uma muda a organização do livro. A pauta original falava em 127; a diferença vem das grafias variantes.
- Grupos. Cada homenageado foi posto num grupo, à mão, pelo motivo da ementa e pelas palavras-chave que a própria Câmara anota. É uma leitura nossa: Frei Tito, por exemplo, está em "lutas por direitos", não em "religiosos".
- "Virou lei". É a situação registrada no arquivo de 10/10/2026 ("Transformado em Norma Jurídica"). Projeto que está no Senado ainda pode virar lei.
- Autores. Autores das proposições, mesma data: o primeiro a assinar. Partido e estado são os do momento da assinatura.
- 2026. Candidaturas 2026 do TSE, 1º turno. Cruzamos pelo nome de urna e pelo estado; os 68 foram conferidos um a um.
- Leitura. Na ementa, "leitura", "alfabetização", "biblioteca", "livro" ou "letramento", fora os heróis: 85 projetos. Tiramos à mão 21 que só usam a palavra em outro sentido (leitura da etiqueta do pedágio, o Livro I do Código de Processo Penal, "letramento" jurídico e em saúde). Ficaram 64, com alfabetização digital incluída.
- O que não fizemos. Não conferimos quais nomes já estão gravados no livro antes de 2023, nem o texto inteiro de cada projeto. Projetos que nasceram no Senado e não chegaram à Câmara ficam de fora.
- Cálculo.
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