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Na ficha do TSE, Vanderlei Luxemburgo é professor; na campanha ao Senado, três quartos do gasto foram para post pago

O técnico ficou em 7º no Tocantins, com 67.987 votos, 4% dos válidos. Nos seis mais votados, a parte do gasto em impulsionamento na internet ficou entre 3% e 8%.

Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · 1º turno18 de outubro de 2026

No pedido de registro ao TSE, o candidato escolhe a própria ocupação numa lista fechada. A lista tem “atleta profissional e técnico em desportos”. Em 2026, 28 candidatos do país marcaram essa linha.

Vanderlei Luxemburgo, o técnico de futebol, marcou outra: “professor e instrutor de formação profissional”. Na tela da urna do Tocantins, aparecia só o nome que o país conhece, com o número 200 e a sigla do Podemos.

Ele ficou em 7º lugar entre os 12 candidatos ao Senado no estado, com 67.987 votos.

O segundo eleito teve quase cinco vezes os votos dele

O Tocantins escolheu dois senadores em 4 de outubro. Eduardo Gomes, do PL, teve 450.191 votos. Alexandre Guimarães, do MDB, teve 316.786.

Luxemburgo teve 4 de cada 100 votos válidos para o Senado no estado. Faltaram 248.799 para alcançar a segunda vaga.

O Podemos lançou dois nomes. Ronaldo Dimas, engenheiro na ficha, ficou em 6º, com 93.009 votos. Somados, os dois chegam a 160.996: metade dos votos do segundo eleito.

A ficha e a urna são dois textos

Todos os 12 candidatos fizeram o mesmo gesto: escolheram um nome para a tela e uma ocupação para a ficha. Quatro marcaram como ocupação o mandato que já exercem, senador ou deputado.

O Professor Osvaldo, do PSOL, levou o título para a urna e marcou “servidor público estadual” na ficha. Luxemburgo fez o caminho inverso: professor na ficha, sem título na urna.

O que cada candidato mostrou na urna e o que escreveu na ficha

Toque num nome para virar as duas cartas.

À esquerda, o que o eleitor viu na tela da urna. À direita, a ocupação, o estado de nascimento e o resultado que o TSE registrou. Candidatos ao Senado no Tocantins, 1º turno de 2026.

Em todo o país, 91 candidatos marcaram a mesma ocupação que ele. Para o Senado, só ele. Na lista de bens que entregou ao TSE, uma linha tem a palavra educação: uma cota de R$ 500 numa empresa chamada Luxemburgo Santos Educação.

Três quartos do gasto foram para a tela do celular

A pauta perguntava pelo plano que ele registrou. Para senador, a lei não pede plano: o texto de propostas é exigido de quem disputa prefeitura, governo de estado e Presidência. O que fica no TSE para ler é a ficha, a lista de bens e as contas da campanha.

As contas dizem por onde ele falou com o eleitor. Até 18 de outubro, a campanha declarou R$ 744.751 em despesas contratadas. Foram R$ 574.760 em impulsionamento de conteúdo, o post pago para aparecer na internet. São 77 de cada 100 reais.

Entre os seis mais votados, a parte desse item ficou entre 3 e 8 de cada 100 reais. Eles puseram mais dinheiro no papel. Alexandre Guimarães contratou R$ 927.224 em impressos e adesivos; Luxemburgo, R$ 78.485.

Entre os sete mais votados, só Luxemburgo pôs a maior parte do gasto em post pago

impulsionamento na internetimpressos e adesivoso resto
Cada barra é o gasto contratado por um candidato ao Senado no Tocantins, dividido em 100 partes. O número é a parte que foi para impulsionamento. Toque numa barra para ver os reais. O último colocado, com R$ 6.053 de gasto, também pôs a maior parte em post pago. Dois candidatos não tinham despesa declarada até 18/10.
Toque numa barra.

O gasto não explica o voto, e esta reportagem não diz que explica. O que a conta mostra é a escolha do meio.

Um quarto dos votos dele veio de Palmas

Luxemburgo teve voto nas 139 cidades do Tocantins. Palmas, a capital, deu 16.802: 25 de cada 100 votos dele. No estado, a capital pesa menos, 19 de cada 100 votos para o Senado.

A maior fatia numa só cidade veio do norte: em Muricilândia, perto de Araguaína, ele teve 755 de 4.204 votos para o Senado, 18 de cada 100. Em Recursolândia, teve 34. Depois de Muricilândia, as quatro maiores fatias ficam todas no sudeste, na região de Natividade: Chapada da Natividade, 14 de cada 100; Natividade, 13; Pindorama do Tocantins, 10; Centenário, 9.

Onde Luxemburgo teve mais votos, cidade a cidade

Cada forma é uma das 139 cidades do Tocantins. Quanto mais escura, maior a parte dos votos para o Senado que foi para Luxemburgo. Toque numa cidade para ver o número.

Nascido no Rio, candidato no Tocantins

A ficha registra o Rio de Janeiro como estado de nascimento, e 1952 como ano. Ele era o mais velho dos 12. Para concorrer, a lei exige domicílio eleitoral no estado ao menos seis meses antes da eleição. O arquivo do TSE não traz o endereço nem a data em que ele passou a votar no Tocantins.

Nascer fora não separou eleito de não eleito. Eduardo Gomes, o mais votado, tem Sergipe na ficha. É a primeira candidatura de Luxemburgo nos arquivos do TSE de 2018 a 2024.

Na ficha, professor. Na tela, post pago. Na urna, 67.987 votos.

Como fizemos

  • Votos. TSE, votação por candidato, município e zona, 2026, 1º turno, cargo Senador, Tocantins (votacao_candidato_munzona_2026.zip, arquivo final). Contamos só votos válidos: 1.650.411 para o Senado no Tocantins, somando as duas vagas. Ficou fora um candidato com votação anulada pela Justiça Eleitoral (Helio Rodrigues Bolsonaro, 3.254 votos, todos anulados).
  • Ficha. TSE, candidatos 2026 (consulta_cand_2026.zip, gerado em 15/10/2026): nome de urna, número, ocupação, estado e data de nascimento. A ocupação é escolhida numa lista fechada do TSE no pedido de registro. A contagem de ocupações no país usa o arquivo de todos os estados. Os anos de 2018, 2020, 2022 e 2024 do mesmo arquivo não têm candidato com o nome Vanderlei Luxemburgo da Silva.
  • Bens. TSE, bens declarados 2026 (bem_candidato_2026.zip). Usamos uma linha só, a da cota na empresa de educação.
  • Gasto. TSE, prestação de contas de candidatos 2026, despesas contratadas, Tocantins (prestacao_de_contas_eleitorais_candidatos_2026.zip, baixado em 18/10/2026). “Impulsionamento” é a categoria em que a própria campanha classificou a despesa; inclui R$ 220.000 em três lançamentos de uma agência de publicidade, a EM Comunicação e Marketing, que a campanha pôs nessa categoria. “Impressos e adesivos” soma as duas categorias de publicidade em papel e adesivo.
  • O que não está no dado. As contas ainda não são as finais: o prazo da prestação final é 30 dias depois da eleição, e os números podem crescer. O TSE não guarda plano de governo de candidato ao Senado, porque a lei (Lei 9.504/1997, art. 11, § 1º, IX) só o exige de prefeito, governador e presidente. O arquivo de candidatos não traz domicílio eleitoral. Tentamos consultar a página do candidato no DivulgaCandContas em 18/10 e o acesso automático foi bloqueado; não lemos os posts nem os vídeos da campanha.
  • Estado de nascimento. O Tocantins foi criado em 1988. Candidatos nascidos antes disso no norte de Goiás podem aparecer na ficha como nascidos em Goiás; por isso não contamos quantos “vieram de fora”.
  • Limites. A reportagem descreve o voto e o gasto declarados. Não mede se o post pago trouxe ou tirou voto: candidatos com mais tempo de mandato, mais aliados e mais dinheiro disputaram as mesmas vagas.
  • Conta salva. eleicoes/calculos/luxemburgo-no-tocantins.py e o resultado em .json, com cada número do texto.

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