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Estados · Pesquisas eleitorais

São Paulo tem quase sete vezes mais eleitores. Goiás teve mais pesquisas.

Em 2026, o TSE recebeu 211 registros de pesquisa eleitoral em Goiás e 115 em São Paulo; em 2022, era o contrário. Nos textos que as empresas escrevem ao juiz, 58 dos 67 que prometem ir “porta a porta” são de Goiás.

Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · pesquisas registradas23 de outubro de 2026

Em Aparecida de Goiânia, a pesquisa eleitoral de 2026 prometeu ir à casa do eleitor. “Abordagem porta a porta”, escreveu a empresa no registro que mandou à Justiça Eleitoral. Em Valparaíso de Goiás, outra prometeu entrevistar “de maneira pessoal em domicílio”, com o questionário num tablet ou computador.

Pesquisa eleitoral que vai a público precisa ser registrada na Justiça Eleitoral antes de sair. O registro traz um texto curto, a metodologia: é a empresa contando ao juiz como vai perguntar. A redação leu os 3.649 registros de 2026, feitos de 7 de janeiro a 20 de outubro.

Goiás registrou mais que qualquer outro estado

Das 3.649 pesquisas, 1.405 são nacionais, feitas para o Brasil inteiro. As outras 2.244 olham um estado só. Goiás tem 211, mais que qualquer outro. Depois vêm o Piauí, com 183, o Maranhão, com 148, e o Rio Grande do Norte, com 145.

São Paulo aparece em quinto, com 115. Tem 34,1 milhões de eleitores; Goiás tem 5,1 milhões. Roraima fecha a lista, com 26.

As pesquisas de Goiás prometem 222.725 entrevistas. As de São Paulo, 193.697. Para cada mil eleitores, Goiás prometeu 44 entrevistas; São Paulo, 6.

Quem teve mais pesquisas registradas

Toque num botão. A lista se reordena.

Pesquisas registradas no TSE por estado, de janeiro a 20 de outubro de cada ano. Goiás e São Paulo em cor.

A ordem muda quando se divide pelo tamanho. Por milhão de eleitores, o Acre fica em primeiro, com 90 pesquisas. Goiás cai para oitavo, com 42. São Paulo vai para o último lugar: 3.

Em 2022, na mesma janela de janeiro a 20 de outubro, era o contrário. São Paulo teve 152 pesquisas; Goiás, 95. Desde então, Goiás mais que dobrou. São Paulo teve 37 a menos.

Duas empresas fizeram mais da metade em Goiás

Em Goiás, 114 das 211 pesquisas são de duas empresas: o Instituto Gazeta, com 59, e a SMS Direct, com 55. É uma a menos que tudo o que São Paulo registrou no ano, somadas as 29 empresas que pesquisaram lá.

Os textos das duas citam cidades como Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Valparaíso de Goiás, Catalão, Caldas Novas. Em São Paulo, quem mais registrou foi o Instituto Vox Brasil, com 22.

Goiás ao lado de outro estado

Escolha um estado. Ele entra na carta da direita.

Cada carta resume os registros de um estado no TSE em 2026. “Entrevistas prometidas” é a amostra que a empresa declarou ao registrar.

O texto ao juiz diz como a pergunta chega

A palavra mais comum nas metodologias é “domicílio”: está em 1.494 dos 3.649 textos. “Telefone” está em 859. “WhatsApp”, em 7.

Goiás tem um vocabulário próprio. “Porta a porta” aparece em 67 textos no país; 58 são de Goiás. “Tablet” aparece em 61 textos goianos e em nenhum paulista.

As palavras que dizem como será a entrevista

Escolha onde medir. Depois toque numa palavra.

Cada palavra tem o tamanho da fatia de textos de metodologia que a trazem naquele lugar. Palavra apagada: nenhum texto de lá a usa.

Desde junho, a máquina entrou no texto

Em 479 textos, a empresa escreve “inteligência artificial”. São 13 de cada 100 pesquisas do ano. Em 2022, na mesma janela, nenhum texto usava a expressão.

Quase todos vêm de duas empresas: o Instituto Verita, com 299, e a Real Time Big Data, com 175. A Real Time Big Data passou a escrever a expressão em 25 de junho; o Verita, em 25 de julho.

O Verita descreve a cena. O celular toca, e a entrevista é aplicada por uma “Unidade Automatizada de Respostas Audíveis e Auditáveis”. A maior parte das respostas vira código de número. O que a pessoa diz em voz alta vira texto pela máquina:

“A inteligência artificial é empregada exclusivamente para a transcrição automatizada das respostas em áudio, não interferindo na formulação das perguntas, na condução das entrevistas, na coleta das informações, na interpretação das respostas ou no tratamento estatístico dos dados.”

A frase afirma uma tarefa e nega cinco. Segundo o texto, a inteligência artificial transcreve; não formula as perguntas, não conduz a entrevista, não coleta, não interpreta, não faz a estatística.

A Real Time Big Data escreve outra coisa: entrevistas “em combinação mista por entrevistadores humanos e recursos de inteligência artificial”, por telefone e por meios digitais. O texto não diz qual parte cabe à máquina.

Registro não é divulgação: o arquivo do TSE não traz o resultado nem diz se a pesquisa saiu. Nenhuma empresa é acusada aqui; a reportagem só leu o que cada uma escreveu. E, no papel entregue ao juiz, o maior eleitorado do país foi menos perguntado que Goiás.

Como fizemos

  • Fontes. TSE, Repositório de Dados Eleitorais: pesquisas eleitorais registradas em 2026 (pesquisa_eleitoral_2026.zip, arquivo gerado em 22/10/2026) e em 2022 (pesquisa_eleitoral_2022.zip, baixado em 23/10/2026). Eleitorado de 2026 por estado: eleitores aptos no resultado do 1º turno divulgado pelo TSE (05/10/2026). “Por milhão de eleitores” é o número de pesquisas dividido por esse eleitorado, arredondado.
  • Recorte e n. Um registro por número de protocolo, no arquivo do Brasil, que reúne todos os estados. São 3.649 registros de 7/1 a 20/10/2026: 1.405 nacionais e 2.244 de um estado (o Distrito Federal, com 92, está aí). Para 2022, a mesma janela: registros de 1/1 a 20/10/2022, 2.811 ao todo.
  • Entrevistas. É a soma da amostra que cada empresa declarou ao registrar (QT_ENTREVISTADO). Não é a soma de pessoas diferentes: a mesma pessoa pode ser ouvida por mais de uma pesquisa.
  • Palavras. Buscamos cada palavra no campo da metodologia (DS_METODOLOGIA_PESQUISA), sem distinguir acento nem maiúscula. Um texto conta uma vez, mesmo que repita a palavra. “Internet” inclui “online”. As citações são cópia literal dos registros.
  • O que buscamos e não achamos. O arquivo não traz o resultado das pesquisas nem a data em que cada uma saiu, só a data prevista. Não classificamos se cada pesquisa ouve uma cidade ou o estado inteiro: o campo é texto livre. Não usamos notícia de imprensa.
  • Limites. Registrar é prometer: o arquivo mostra o que a empresa disse que faria, não o que fez. Contar pesquisas não mede a qualidade de nenhuma. Nada aqui diz por que Goiás teve mais.
  • Conta salva. eleicoes/calculos/goias-pesquisou-mais-que-sao-paulo.py e o resultado em .json, com cada número do texto e as travas nos fatos de que o texto depende.

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