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Congresso e partidos · São Paulo

Eduarda Campopiano teve mais votos onde a maioria terminou o fundamental mas não tem diploma de faculdade

A deputada estadual mais votada do estado somou 1,96 milhão de votos: 8 de cada 100. Ela foi melhor onde a maioria dos eleitores terminou o fundamental mas não tem diploma de faculdade. Nas seções em que eles são 3 de cada 4 eleitores, ela teve 9 de cada 100 votos. Nas seções em que são menos da metade, teve 7. A idade pesa menos que a escolaridade.

Reportagem · Congresso e partidosEleições 2026 · 1º turno8 de outubro de 2026

Na ETEC Maracanã, em Praia Grande, a seção 400 teve 240 votos válidos para deputado estadual. Sessenta e oito foram para Eduarda Campopiano (PL): 28 de cada 100. Nenhuma seção do estado com pelo menos 100 votos válidos deu a ela uma fatia maior.

Na zona oeste da capital, a conta foi outra. A zona eleitoral 251 vota sobretudo em Alto de Pinheiros. Ali, metade dos eleitores tem diploma de faculdade. Ela teve 5 de cada 100 votos.

Eduarda tem 23 anos. Teve 1.956.238 votos no 1º turno de 4 de outubro. É a deputada estadual mais votada de São Paulo, com três vezes os votos do segundo, Eduardo Suplicy (PT, 654.627). De cada 100 votos válidos para deputado estadual no estado, 8 foram dela.

Esta reportagem pergunta onde estão esses votos e em que tipo de seção eles pesam mais. A resposta vem do cadastro do TSE: idade, sexo e escola declarados pelos eleitores de cada seção. É o retrato da seção, não de cada pessoa.

Capital, Grande São Paulo ou interior?

Palpite: em qual pedaço do estado ela teve a maior fatia dos votos?

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De cada 100 votos válidos para deputado estadual, quantos foram dela

De cada 100 votos que ela recebeu, quantos vieram de cada pedaço

Grande São Paulo: as 38 cidades da região metropolitana fora a capital. Interior e litoral: as outras 606 cidades.

A capital deu a ela 9 de cada 100 votos. O interior, quase o mesmo: 8,7. A Grande São Paulo deu menos: 6,7. Mas o interior é grande. Mais da metade dos votos dela, 54,5 de cada 100, saiu de lá.

Nas cidades com pelo menos 20 mil votos válidos, Praia Grande foi a que mais votou nela: 18 de cada 100. Depois vêm Itatiba (17) e São João da Boa Vista (16,5). Na ponta de baixo estão Botucatu (3,3), Presidente Prudente (3,4), Araçatuba (3,8) e Guarulhos (3,9), a segunda maior cidade do estado. Campinas, com 11,5 de cada 100, deu a ela 67.721 votos, a maior pilha fora da capital.

No mapa, o voto dela engrossa num arco ao redor de Campinas. Entre as 11 regiões intermediárias do IBGE, a de Campinas deu a ela 10,2 de cada 100 votos; a de Presidente Prudente, no extremo oeste, 4,0. Entre as 53 regiões imediatas, Amparo (12,9) e Rio Claro (12,8) lideram; Presidente Prudente (3,5) fica no fim.

Onde ela teve mais voto no estado

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    Cor: de cada 100 votos válidos para deputado estadual, quantos foram dela (média do estado: 8,4). Regiões geográficas imediatas e intermediárias: IBGE, divisão de 2017. Fonte: TSE, votação por seção, 1º turno de 2026; votos de candidaturas anuladas fora da conta.

    Um voto sem reduto

    Ela teve pelo menos um voto em 103.507 das 103.568 seções do estado. Só 61 ficaram zeradas.

    O voto também não se amontoa num bairro. Em 89 de cada 100 seções, ela teve entre 4 e 16 de cada 100 votos válidos: de metade ao dobro da média dela no estado. Na seção do meio da fila, 8 de cada 100.

    Na capital, o leste vota mais; os bairros de diploma, menos

    As zonas com mais diploma deram menos voto a ela

    Cada bolinha é uma das 57 zonas eleitorais da capital. Toque numa bolinha para ver o número.

    Toque numa bolinha.

    Vertical: de cada 100 votos válidos para deputado estadual, quantos foram dela. Horizontal: de cada 100 eleitores da zona, quantos têm diploma de faculdade no cadastro. O bairro é o distrito com mais eleitores na zona. Fonte: TSE.

    A zona 348, em Aricanduva, na zona leste, deu a ela 12,7 de cada 100 votos. É a maior fatia entre as 57 zonas da capital. Sapopemba (11,7), Vila Matilde (11,6) e Mooca (11,6) vêm logo atrás.

    As quatro zonas que menos votaram nela ficam no centro e no oeste: Alto de Pinheiros (4,9), Bela Vista (5,4), Jardim Paulista (5,6) e Perdizes (6,0). Em três delas, perto de metade dos eleitores tem diploma.

    A escada da escola

    O título de eleitor guarda até onde a pessoa disse ter estudado. Dá para ver isso como uma escada. No degrau de baixo estão quem não lê, quem só lê e escreve e quem não terminou o fundamental. No topo, quem tem diploma de faculdade. No meio, todo o resto: fundamental completo, ensino médio, faculdade sem terminar. Nesta reportagem, esse meio se chama escolaridade média: quem terminou o fundamental mas não tem diploma de faculdade.

    Quanto mais eleitores de escolaridade média, mais voto nela

    As seções foram divididas em 10 grupos do mesmo tamanho, da que tem menos eleitores de escolaridade média para a que tem mais. Toque numa barra.

    ← menos escolaridade médiamais escolaridade média →

    Número na barra: de cada 100 votos válidos para deputado estadual nas seções do grupo, quantos foram dela. Seções com pelo menos 50 eleitores. Fonte: TSE, perfil do eleitorado e votação por seção.

    No estado, as seções com menos eleitores de escolaridade média deram a ela 6,7 de cada 100 votos. As que têm mais deram 8,9. Na capital, a subida vai de 6,7 a 10. No interior, de 6,5 a 10,2.

    Quem fica de fora do meio? As duas pontas da escada. Na capital, o quinto das seções com mais diploma deu a ela 8,1 de cada 100. O quinto com menos diploma, 8,6. Entre os dois, ela chega a 10,2. O voto dela faz um arco: sobe do degrau de baixo e desce no topo.

    A Grande São Paulo é a exceção. Ali a escolaridade média não separa o voto, e ela tem mais voto onde há mais diploma: de 5,6 a 8,1 de cada 100.

    E a idade?

    Para uma candidata de 23 anos, a idade da seção separa pouco. Na capital, as seções mais jovens (40 anos, em média) deram a ela 9,6 de cada 100; as mais velhas (56 anos), 8,7. Menos de um ponto. No interior a distância é maior: de 9,8 a 7,5.

    Uma conta anterior da redação, só na capital, achou um enigma. Pela idade, as seções mais velhas votam um pouco menos nela: meio ponto a menos a cada 10 anos. Descontada a escola numa fórmula de linha reta, o sinal se inverte. Dentro do mesmo prédio de votação, volta a ser negativo. Quando o sinal muda conforme a régua, a idade não é a história.

    A razão está no cadastro: idade e escola andam juntas. As seções jovens têm mais eleitores de escolaridade média. Uma explicação provável é que muita gente tira o título ainda na escola e não atualiza depois. A fórmula de linha reta também não enxerga o arco do voto dela. Por isso o teste abaixo compara seções da mesma idade.

    Com a idade igual, a escola continua separando

    Em cada faixa de idade, as seções com menos eleitores de escolaridade média (cinza) e com mais (verde).

    • menos eleitores de escolaridade média
    • mais eleitores de escolaridade média
    Número: de cada 100 votos válidos para deputado estadual, quantos foram dela. As seções foram divididas em 5 faixas de idade média; em cada faixa, comparamos o terço com menos e o terço com mais eleitores de escolaridade média. A idade média dos dois terços difere em no máximo 3 anos. Fonte: TSE.

    Nas seções mais velhas da capital, com 56 anos de idade média, as que têm menos eleitores de escolaridade média deram a ela 6,9 de cada 100. As que têm mais deram 10,3. Nas mais jovens, a distância cai: 9,1 contra 10. Na capital e no interior, o verde fica à frente em todas as faixas de idade. No estado inteiro, empata só na faixa mais jovem.

    E o sexo? Também separa pouco. Na capital, as seções com mais mulheres no cadastro deram a ela 8,9 de cada 100; as com menos mulheres, 9,4.

    O que dá para dizer

    O voto de Eduarda Campopiano não tem dono de bairro: está em quase toda urna, numa fatia parecida. Onde ele engrossa, há muito eleitor que passou do fundamental e não chegou ao diploma. Onde ele afina, há muito diploma, como em Alto de Pinheiros, ou muita gente que não terminou o fundamental.

    Isso descreve seções, não pessoas. Não dá para dizer que o eleitor com ensino médio votou nela. Dá para dizer que, onde esse eleitor é maioria, ela teve mais votos.

    Como fizemos

    • Voto. TSE, votação por seção, 1º turno de 4 de outubro de 2026, deputado estadual em São Paulo. Eduarda Campopiano (PL, 22011): 1.956.238 votos, conferidos no arquivo final do TSE por município e zona. Votos válidos: votos nominais e de legenda; brancos e nulos ficam fora. Os 35.127 votos de candidaturas anuladas pela Justiça Eleitoral saem da conta nos totais do estado, das regiões, das cidades e das zonas.
    • Perfil da seção. TSE, perfil do eleitorado por seção, 2026: idade média (ponto médio de cada faixa de idade), fatia de eleitores com superior completo, fatia com baixa escolaridade (analfabeto, lê e escreve, fundamental incompleto) e fatia de mulheres. “Escolaridade média” é o que sobra: de fundamental completo a superior incompleto. É o que o eleitor declarou ao tirar ou atualizar o título; pode estar desatualizado, sobretudo entre os jovens.
    • Recorte. 103.568 seções com pelo menos 50 eleitores e algum voto válido (capital: 26.672; Grande São Paulo: 21.102; interior e litoral: 55.794). O número de cada grupo soma os votos das seções do grupo. Cidades: as 161 com pelo menos 20 mil votos válidos. Zonas: as 57 da capital.
    • A conta anterior. Regressão da redação para a capital (idade_escolaridade_secao.py): −0,50 ponto a cada 10 anos de idade média; +1,35 com superior e baixa escolaridade na fórmula; −0,28 entre seções do mesmo local de votação.
    • Associação não é causa. O texto descreve como votaram as seções. Não mede o voto de cada pessoa nem o efeito da escola sobre o voto. Escola anda junto com renda e bairro, que não medimos aqui.
    • Cálculo. eleicoes/calculos/eduarda-campopiano-quem-vota-nela.py e o resultado em eduarda-campopiano-quem-vota-nela.json, no acervo do letramento.org.

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