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Cleiton, Clayton, Gleiton: Minas teve 35 Cleitinhos na urna desde 2016, e o que vai governar ganhou sobrenome
Cleiton Gontijo de Azevedo se elegeu vereador, deputado estadual e senador como Cleitinho. Para governador, pediu voto como Cleitinho Azevedo e teve 55% dos válidos. Na tela de deputado estadual, o Cleitinho de 2026 era Clayton Rodrigues de Figueiredo (MDB): 9.984 votos, 37% deles de Nova Serrana.
Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · 1º turno21 de outubro de 2026
Cleiton, Clayton, Gleiton, Cleidson. No documento, são nomes diferentes. Na urna de Minas Gerais, eles viram quase sempre a mesma palavra.
De 2016 a 2026, 35 candidatos pediram voto no estado com “Cleitinho” no nome de urna. O nome de urna é o que aparece na tela depois que o eleitor digita o número. No documento, 24 deles se chamam Cleiton, e 7, Clayton.
O diminutivo apaga a grafia. Cleiton e Clayton se escrevem diferente e se falam igual. Com o “-inho” no fim, viram o mesmo nome.
Os 35 Cleitinhos de Minas, do documento para a urna
Aperte “Na urna” e veja os nomes do documento virarem quase uma palavra só.
Três vitórias como Cleitinho; a quarta, com sobrenome
Um desses 35 é Cleiton Gontijo de Azevedo, nascido em 1982. Em 2016, ele se elegeu vereador de Divinópolis como “Cleitinho”.
Em 2018, com o mesmo nome na tela, se elegeu deputado estadual, com 115.492 votos. Em 2022, senador, com 4.268.193.
A vaga do Senado veio com 41 de cada 100 votos válidos. No mapa, a disputa foi mais apertada: ele terminou em 1º em 368 das 853 cidades, e Alexandre Silveira, em 369.
Em 2026, para governador, a tela mostrou outra coisa: “Cleitinho Azevedo”. Com o sobrenome, ele teve 6.321.590 votos, 55 de cada 100 válidos, e venceu no 1º turno.
Ficou em 1º em 825 das 853 cidades. Patrus Ananias venceu em 24; Mateus Simões, em 4.
O mesmo homem em quatro telas
Escolha um ano. O nome muda só uma vez.
CLEITINHO AZEVEDO
Na tela anterior, outro Cleitinho
A urna mostra as telas numa ordem fixa, escrita na lei: deputado federal, deputado estadual, senador, governador, presidente. Em 4 de outubro, a tela de deputado estadual veio antes da de governador.
Nela, quem digitou 15123 leu “Cleitinho”. Era Clayton Rodrigues de Figueiredo, empresário, do MDB, nascido em 1983.
A urna não tem lista de nomes. O eleitor digita o número, e só então aparecem o nome e a foto. Para ler “Cleitinho” na tela de deputado estadual, eram cinco algarismos. Para ler “Cleitinho Azevedo” na de governador, dois.
Digite o número e veja o nome aparecer
Use o teclado ou um dos atalhos. Depois, passe para a tela seguinte.
DEPUTADO ESTADUAL
Clayton teve 9.984 votos e não se elegeu. No cadastro do TSE, não há candidatura dele em Minas de 2016 a 2024: a de 2026 foi a primeira.
Os votos dele têm endereço: Nova Serrana
Mais de um terço dos votos de Clayton saiu de uma cidade só. Em Nova Serrana, ele teve 3.657 votos: 37 de cada 100 que recebeu.
Na cidade, ele ficou com 7 de cada 100 votos válidos para deputado estadual. Depois vêm Malacacheta, com 942, Capelinha, com 717, e Pitangui, com 661.
De onde vieram os 9.984 votos do outro Cleitinho
Ele teve voto em 419 das 853 cidades. É mais do que a maioria dos candidatos com votação parecida. Dos 24 que tiveram entre 8 mil e 12 mil votos para deputado estadual em Minas, 20 tiveram voto em menos cidades. No meio do grupo, a conta é 168.
Em quantas cidades teve voto quem teve de 8 mil a 12 mil votos
Toque num ponto para ver o número.
Clayton, o “Cleitinho” do MDB: voto em 419 cidades.
O dado não diz por quê. A urna guarda o número digitado, não o que o eleitor pensou ao digitar.
A lei proíbe o nome igual, e os dois nunca foram iguais
A Lei das Eleições trata do caso no artigo 12. A Justiça Eleitoral nega a quem disputa deputado o nome “coincidente com nome de candidato a eleição majoritária”, a de governador e senador. A exceção é para quem tem mandato ou concorreu com aquele nome nos quatro anos anteriores.
Em Minas, os dois nomes nunca foram iguais letra por letra. Em 2022, quando o candidato a senador era “Cleitinho”, outro Cleiton se elegeu deputado estadual como “Professor Cleiton (Cleitinho)”, com 47.184 votos. Ali, o apelido vinha entre parênteses.
Em 2026, com o candidato a governador “Cleitinho Azevedo”, o “Cleitinho” sem mais nada ficou na tela de deputado.
O cadastro público não diz por que o senador acrescentou o sobrenome, nem quem pediu o nome primeiro. A resposta estaria no processo de registro de cada candidatura, que esta reportagem não consultou.
Cleiton e Clayton, no documento. Cleitinho, nas duas telas. No governo, o que tem sobrenome.
Como fizemos
- Nomes. TSE, cadastro de candidatos de 2016 a 2026, arquivo de Minas Gerais (consulta_cand_2026.zip e os dos anos anteriores, mesmo endereço). Contamos quem teve “CLEITINHO” no nome de urna no 1º turno, uma vez por pessoa (nome no documento e data de nascimento): 35 pessoas, 44 candidaturas. Ficaram fora dois nomes que citam outro Cleitinho (“Andrade Pai do Cleitinho”, 2016, e “Claudimar do Senador Cleitinho”, 2024).
- Votos. TSE, votação por candidato, município e zona, 1º turno de 2018, 2022 e 2026 (votacao_candidato_munzona_2026.zip, arquivo final), só votos válidos. Governador 2026: 11.410.371 válidos em Minas. Senador 2022: 10.294.589. “1º na cidade” é o candidato com mais votos válidos em cada um dos 853 municípios.
- Comparação. Os 24 candidatos a deputado estadual em Minas com 8.000 a 12.000 votos válidos em 2026, sem contar Clayton. “Cidade com voto” é município com pelo menos um voto válido para o candidato. Mede quanto o voto se espalhou, não por que se espalhou.
- Lei. Lei 9.504/1997, art. 12, § 3º (nome coincidente) e art. 59, § 3º (ordem das telas), no site do Planalto.
- O que não achamos. O motivo do sobrenome não está no cadastro de candidatos nem no resultado; os processos de registro no sistema da Justiça Eleitoral não foram consultados. Os votos de vereador de 2016 não entraram na conta.
- Conta. Script e resultado:
eleicoes/calculos/cleitinho-ganhou-um-sobrenome.pye.json.
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