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Estados · A reeleição dos governadores

Oito de nove governadores levaram mais quatro anos no 1º turno; no plano de governo, a alfabetização ganhou porcentagem

Em 2018, de 16 governadores que tentaram a reeleição, 7 levaram no 1º turno; em 2022, 9 de 16. Nos planos de 2022, nenhum dos nove punha número na alfabetização. Nos de 2026, cinco põem, e quatro contam um resultado.

Reportagem · Estados e redes estaduaisEleições 2026 · 1º turno13 de outubro de 2026

Em Macapá, no dia 4 de outubro, a tela da urna para governador mostrou dois ex-prefeitos da cidade. Um aparecia só pelo primeiro nome: CLÉCIO, eleito prefeito em 2012 e em 2016, e governador do Amapá em 2022. O outro vinha com o título na frente: DR. FURLAN, eleito prefeito em 2020 e em 2024.

Venceu o segundo. Dr. Furlan (PSD) teve 281.595 votos, 62,8 de cada 100 votos válidos do estado. Clécio (União) teve 165.900, 37,0 de cada 100. Em 2022, no 1º turno, ele tinha 222.168 votos, 53,8 de cada 100. Foi o único governador eleito em 2022 que pediu mais quatro anos e perdeu.

Oito ganharam sem 2º turno

Dos 27 governadores eleitos em 2022, nove disputaram de novo o governo do estado. Oito venceram já no 1º turno, com mais da metade dos votos válidos. Em 2022, só três desses nove tinham vencido no 1º turno: Elmano de Freitas, no Ceará, Rafael Fonteles, no Piauí, e o próprio Clécio.

A maior subida foi a de Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco. Em 2022, ela chegou em segundo no 1º turno, com 20,6 de cada 100 votos válidos, e venceu no 2º. Agora teve 53,3 de cada 100: 2.805.438 votos. Eduardo Riedel (PP), em Mato Grosso do Sul, foi de 25,2 para 67,1. Tarcísio (Republicanos), em São Paulo, de 9,88 milhões para 14,49 milhões de votos.

Só um dos oito vencedores teve fatia menor que em 2022: Elmano de Freitas (PT), no Ceará, de 54,0 para 53,2 de cada 100.

Os nove que pediram mais quatro anos

Votos válidos no 1º turno, de cada 100. Passe de 2022 para 2026 e veja quem cruza a linha da metade.

    metade dos votos
    Toque num nome para ver os votos.
    Barra roxa: venceu em 2026 no 1º turno. Barra rosa: perdeu. Quem passa da linha tracejada vence sem 2º turno.

    A maior fatia em três eleições

    Em 2018, 16 governadores eleitos em 2014 tentaram a reeleição. Sete venceram no 1º turno, e outros dois no 2º. Em 2022, também 16 tentaram: nove venceram no 1º turno, e cinco no 2º. Em 2026, foram oito de nove.

    Quem tentou a reeleição, e quem levou no 1º turno

    Cada bolinha é um governador que pediu mais quatro anos. Cheia: venceu no 1º turno.

    Governadores eleitos na eleição anterior que disputaram o mesmo cargo. Em 2026 ninguém foi ao 2º turno: o Amapá decidiu contra o governador no 1º.

    Em 2026, foram menos os que tentaram. A Constituição permite uma só reeleição seguida (art. 14, § 5º). Dos outros 18 governadores de 2022, 14 tinham sido eleitos governador também em 2018, e 3 tinham sido eleitos vice em 2018: Maranhão, Rio de Janeiro e Tocantins.

    Seis desses 18 foram ao Senado, e quatro se elegeram: Renato Casagrande (ES), Mauro Mendes (MT), Helder (PA) e João Azevêdo (PB). Gladson Camelí (AC) e Wilson Lima (AM) não se elegeram. Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) disputaram a Presidência. Os outros dez não estão na lista de candidatos de 2026.

    O plano de 2026 é outro texto

    Todo candidato a governador entrega à Justiça Eleitoral um plano de governo, e o TSE o publica. Reunimos os dois planos de cada um dos nove, o de 2022 e o de 2026: são 130.775 palavras de um lado e 133.491 do outro.

    Cortamos cada plano em trechos de oito palavras seguidas e procuramos cada trecho de 2026 no plano de 2022 do mesmo autor. Em oito dos nove, menos de 1 de cada 100 trechos se repete. Contra os planos dos adversários de 2022, a mesma busca acha menos de 1 de cada 1.000.

    A exceção é Sergipe. Fábio (PSD) repetiu 2,6 de cada 100 trechos, e sete frases inteiras. Uma delas voltou igual: “Portanto, trata-se de um documento preliminar a ser utilizado como referência nos debates com a população do nosso estado.”

    A alfabetização ganhou número

    A palavra alfabetização, com as da mesma família, como alfabetizar e alfabetizadas, aparece 43 vezes nos nove planos de 2026. Nos de 2022, 15 vezes. A palavra leitura aparece 6 vezes em 2026, e 3 em 2022.

    Em 2022, a alfabetização vinha no infinitivo, como promessa. “Alfabetizar as crianças de Pernambuco na idade certa”, escreveu Raquel Lyra. “Apoiar as prefeituras na alfabetização dos alunos”, escreveu Tarcísio. Nenhum dos nove planos punha um número de crianças alfabetizadas.

    Em 2026, cinco planos põem número na alfabetização. Quatro contam um resultado: Amapá, Bahia, Ceará e Pernambuco. O Piauí fixa uma meta: 95 de cada 100 crianças alfabetizadas até os 7 anos.

    Os resultados vêm do Indicador Criança Alfabetizada, que o INEP calcula desde 2023. Ele conta quantas crianças do 2º ano da escola pública passaram da nota de corte de quem já está alfabetizado. Nos quatro planos, o número fica a até 2 pontos do publicado pelo INEP. O Amapá escreve 17 para 2021; o INEP dá 18,8. O plano do Amapá diz ter superado a meta nacional: a meta do estado para 2025 era 54, e a do país, 64. O Ceará escreve 85; o INEP dá 85,3 em 2024 e 84 em 2025.

    O indicador soma escolas estaduais e municipais, e o INEP não separa as duas redes.

    A mesma palavra, quatro anos depois

    Escolha um estado. Primeiro vem o plano de 2022; depois, o de 2026, do mesmo governador.

    Trechos copiados dos planos publicados pelo TSE; […] marca corte nosso. Colunas: crianças do 2º ano da escola pública consideradas alfabetizadas, de cada 100 (INEP).

    Em 2022, a alfabetização era um verbo no plano de governo. Em 2026, em quatro dos nove planos, é um resultado com número. O INEP mediu quase o mesmo.

    Como fizemos

    • Votos. Tribunal Superior Eleitoral, votação por município e zona de 2018, 2022 e 2026 (votacao_candidato_munzona_2026, _2022 e _2018), cargo de governador, 1º turno, só votos válidos: votos de candidatura anulada na Justiça ficam fora da conta.
    • Quem é quem. Cadastro de candidaturas do TSE (consulta_cand_2026, _2022, _2018 e _2014). Ligamos as eleições pelo CPF, não pelo nome. Governador de 2022 é quem a Justiça Eleitoral deu como eleito, no 1º ou no 2º turno. Vice que assumiu o governo depois fica de fora. Na série de 2018, a lista de eleitos de 2014 inclui os escolhidos em eleição suplementar. Os mandatos de prefeito de Clécio e Dr. Furlan estão no cadastro das eleições municipais de 2012, 2016, 2020 e 2024.
    • Planos. Planos de governo publicados pelo TSE (proposta_governo_2022_<UF>, baixados em 13/10/2026, e proposta_governo_2026_<UF>, baixados em 06/10/2026). Texto tirado do PDF por programa; os planos de 2026 de Pernambuco e de Santa Catarina são imagem e passaram por reconhecimento ótico de caracteres, que pode errar letras e esconder alguma repetição. Comparamos o texto sem acento, em minúsculas, em trechos de oito palavras seguidas. A contagem da palavra soma toda forma que começa por “alfabetiz”.
    • Alfabetização. INEP, Indicador Criança Alfabetizada: planilhas de resultados e metas por estado de 2023, 2024 e 2025 (resultados_e_metas_ufs_2025_v1.xlsx). É a parte dos alunos do 2º ano da rede pública acima de 743 pontos na escala do Saeb. 2021 é o Saeb; de 2023 em diante, as avaliações dos estados ajustadas à mesma escala. A planilha de 2025 arredonda para inteiro e marca Santa Catarina com asterisco.
    • Limites. O 2º turno de 2022 aparece só para dizer quem venceu. Comparamos os planos de forma automática; não lemos à mão cada página. O plano diz o que o candidato escreveu, não o que o governo fez. O indicador do INEP mede escolas estaduais e municipais juntas.
    • Conta. O cálculo está em eleicoes/calculos/a-reeleicao-dos-governadores.py e o resultado em a-reeleicao-dos-governadores.json.

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