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Congresso e partidos · O Dia do Médico no Senado

Quatro em cada dez médicos da Câmara ficam fora do Congresso em 2027. A bancada de jaleco cresce mesmo assim

No Dia do Médico, no Senado, Carla Dickson (PL-RN) contou à tribuna que ela, Zacharias Calil e Luiz Ovando não voltam. Pela ficha do TSE, 13 dos 33 médicos eleitos deputados em 2022 não terão cadeira em fevereiro. Chegam 19, e a Câmara de 2027 terá 37. Dickson falou em 40.

Reportagem · Congresso e partidosSenado · TSE17 de outubro de 2026

Às 11h20 de 14 de outubro, no plenário do Senado, a sessão era de festa: o Dia do Médico, antecipado em quatro dias. Carla Dickson (PL-RN), suplente com 67.632 votos, 13ª no Rio Grande do Norte, usou parte dos seus três minutos para uma despedida.

Carla Dickson, bloco das 11h20“Calil, meu coração doeu em saber que você não vai estar... Nem eu, estaremos... O Luiz Ovando também, mas nós fizemos a nossa parte.”

A urna confirma os três. Dr. Zacharias Calil (MDB-GO) trocou a Câmara pela disputa ao Senado e teve 998.319 votos, 14,94% dos válidos: ficou em 3º, e Goiás elegia dois. Dr. Luiz Ovando (PP-MS) ficou como suplente, com 34.679 votos. Dickson, suplente também em 2022, estava no exercício do mandato. Fica de novo na fila.

Na mesma fala, ela cumprimentou Bia Kicis (PL-DF), eleita senadora com 886.616 votos (27,48%), 2ª de 11. E fez uma conta.

A conta da tribuna e a da ficha

Carla Dickson, bloco das 11h16“Nós aumentamos o número: 40 Deputados Federais e 7 Senadores. Saímos de dois para sete Senadores.”

O TSE não tem uma lista de médicos. Tem a ficha de cada candidato, com o campo “ocupação”, que o próprio candidato preenche. Contamos como médico quem escreveu “médico” ali em 2026 ou em qualquer eleição desde 2010.

Pela ficha, a Câmara eleita em 4 de outubro terá 37 médicos entre 513 deputados. A eleita em 2022 tinha 33. O número cresceu, como disse Dickson, mas não chegou a 40.

Dickson disse 40. Quantos a ficha do TSE conta?

Escolha um número. Depois veja a resposta.

Os médicos entre os 513 deputados federais eleitos em 4 de outubro.

Cada barra é um jeito de contar os mesmos 513 eleitos. A última repete a régua na Câmara eleita em 2022.

No Senado, o sete confere. São 5 médicos eleitos em outubro e dois que seguem até 2031: Otto Alencar (PSD-BA) e Dr. Hiran (PP-RR), eleitos em 2022 para mandatos de oito anos. O “dois” não confere: os senadores eleitos em 2018 e 2022 já somavam 6 médicos pela ficha.

O jaleco atrás da palavra “deputado”

Se a conta usasse só a ficha deste ano, a Câmara nova teria 30 médicos, não 37. Os outros 7 escreveram outra coisa no campo da ocupação. Seis escreveram “deputado”. Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, reeleito com 124.339 votos, 5º na Paraíba, é um deles.

A palavra é comum. 201 dos 513 eleitos em outubro puseram “deputado” como profissão. Em 2022, só 17 dos 33 médicos eleitos escreveram “médico” naquele ano. A ficha guarda o cargo; o diploma aparece nas eleições de antes.

Quem sai, quem fica, quem chega

Dos 33 médicos eleitos para a Câmara em 2022, 18 se reelegeram. Dois sobem ao Senado: André Fufuca (PP-MA), o mais votado do Maranhão, com 1.530.187 votos, e Dr. Fernando Máximo (PL-RO), o mais votado de Rondônia, com 570.799 votos.

Os outros 13 não terão cadeira no Congresso em fevereiro. Sete perderam a eleição para a Câmara, dois a do Senado e um a da Assembleia. Três não concorreram. São quatro de cada dez.

No lugar deles, chegam 19 médicos que não estavam entre os eleitos de 2022. É por isso que a bancada cresce enquanto perde gente.

A bancada de jaleco, da Câmara de 2022 à de 2027

Troque o ano. Toque numa bolinha para ver o nome.

Cada bolinha é um médico eleito deputado federal em 2022.

Cor por destino na urna de 4 de outubro de 2026. “Fora” inclui quem não concorreu. Os eleitos de 2022 nem sempre são os que estão hoje na Câmara: há suplentes no exercício do mandato, como Dickson.

A tribuna de 14 de outubro

Onze parlamentares, atuais ou eleitos, falaram na sessão. Quatro deixam o Congresso em fevereiro. Quatro estarão na Câmara: um reeleito e três que chegam agora. Bia Kicis passa para o Senado. Dr. Hiran e Tereza Cristina seguem nele.

Quem falou, e o que a urna disse

Na ordem do destino. Votos válidos do 1º turno, 4 de outubro de 2026. Os convidados de entidades médicas que discursaram não foram candidatos.

Dickson contou três jalecos de saída. A urna levou 13 e trouxe 19.

Como fizemos

  • A fala. Notas taquigráficas do Senado, sessão especial de 14/10/2026 em homenagem ao Dia do Médico (sessão 586193), baixadas em 17/10/2026. A hora é a do bloco de quatro minutos: a conta dos “40 e 7” está no bloco das 11h16, a despedida no das 11h20.
  • Quem é médico. TSE, cadastro de candidaturas (consulta_cand) de 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026, campo de ocupação, que o candidato declara. As fichas da mesma pessoa foram casadas pelo CPF. Conta como médico quem declarou “médico” em ao menos uma delas; quem declarou “veterinário” em outra ficha ficou de fora (um caso, Wellington Fagundes). A mesma régua vale para 2022 e 2026. Para 2026, usamos o cadastro de 8/10/2026, com os 513 deputados eleitos; o TSE regerou o arquivo em 15/10 com 505.
  • Os votos. TSE, votação por candidato do 1º turno (4/10/2026), votos válidos. A posição é a do candidato no cargo e no estado.
  • O Senado. Médicos eleitos senadores em 2018 e 2022 (a composição eleita do Senado atual) e em 2022 e 2026 (a de 2027). Mandato de senador: oito anos (Constituição, art. 46, § 1º).
  • O que procuramos e não achamos. Uma lista oficial de deputados médicos, na Câmara ou no TSE. Não sabemos de onde vem o “40” de Dickson; a Frente Parlamentar da Medicina pode contar de outro jeito, por exemplo com quem não se declara médico ao TSE.
  • Limites. Ocupação é declaração: há médico que nunca escreveu “médico” e não entra na conta. “Eleitos em 2022” não são os que estão hoje na Câmara: suplentes assumiram no lugar de quem virou ministro ou saiu. A urna mostra quem volta, não por quê.
  • Cálculo. eleicoes/calculos/a-bancada-de-jaleco-que-sai-em-2027.py (resultado em a-bancada-de-jaleco-que-sai-em-2027.json).

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